A garantia de acesso às práticas esportivas e de lazer foi o tema abordado pelo secretário municipal de Esportes e Lazer de Vitória, Rodrigo Wernersbach Ronchi, na noite desta quinta-feira (26), no curso da Escola de Formação Política para Jovens. A iniciativa da Casa dos Municípios da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) abrange jovens de todo o estado.
Ronchi discorreu sobre a atuação do poder público e as formas de democratizar o acesso às atividades. Ele destacou os benefícios da prática esportiva, como o combate ao sedentarismo e a promoção da interação social, o que contribui para melhor qualidade de vida dos cidadãos.
O palestrante fez um histórico das políticas públicas ligadas à área em nível nacional, a partir da década de 1930, lembrando dos avanços e aperfeiçoamentos ao longo do período. Também falou, mais especificamente, sobre a atuação do município para a prática desportiva na capital capixaba.
Ronchi reforçou o direito desportivo como fundamental para a população. Para o secretário, é importante que se compreenda que esporte é um direito constitucional e deve ser garantido a todo cidadão. “Esporte não é favor, está garantido pela legislação, previsto inclusive na Constituição Federal no artigo 217, assim como saúde, educação e cultura”, pontuou.
Para implementar de forma eficaz as políticas públicas da área, o secretário destacou que é necessário separar e diferenciar o esporte profissional do esporte social. Na primeira modalidade, os atletas de alto rendimento têm dedicação profissional ao esporte, com foco no tempo de treino, rotina e recebimento pecuniário para a prática desportiva.
Já no esporte social, nas palavras do palestrante, “funciona como fator de integração entre pessoas, articulador de grupos sociais, espírito coletivo e sociabilidade dos praticantes”, estimulando o “bem-estar físico e mental, ou mesmo social e com a possibilidade de cuidar da saúde”. O poder público pode fomentar os dois tipos, ressaltou Ronchi.
“Com o investimento no esporte, você tem reflexos na saúde, tem reflexos na fila da unidade básica de saúde, você tira o cidadão da cardiopatia, da diabetes… você tem reflexos muito positivos na pedagogia, com a melhora do rendimento escolar, o esporte transcende por várias outras áreas”, afirmou.
Saúde
Saúde foi o outro tema de aula ministrada aos jovens nessa quinta. O assunto foi abordado pelo deputado estadual e médico Hudson Leal (Republicanos). De forma didática, o parlamentar explicou o que são as políticas públicas na área de saúde que, no Brasil, são de responsabilidade compartilhada entre os três níveis de governo: federal, estaduais e municipais.
Hudson deu exemplos de políticas públicas, como o programa de imunização nacional com vacinas ofertadas gratuitamente para toda a população; atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS); campanhas de prevenção a doenças; apoio à saúde mental; realização de exames e cirurgias, entre outras.
O parlamentar também diferenciou as ações que são da competência dos municípios, dos Estados e da União e abordou os desafios e possíveis soluções em cada uma das esferas de Poder.
Também citou as ações de responsabilidade conjunta, como priorizar a atenção básica à saúde, investindo mais em prevenção; combater as notícias falsas na área; e ampliar a educação em saúde.
Para o parlamentar não existe um sistema de saúde pública como o SUS em nenhum outro lugar no mundo. E, na visão do deputado, o sistema é bom, mas requer muito aperfeiçoamento ainda. Ele lembrou que há desafios para a implementação da saúde pública em todas as esferas do poder.
“É um modelo (SUS) que no papel é muito bom, a interação entre as três esferas de poder: municípios, estados e governo federal. Mas muitas coisas deixam de ser ofertadas. Por exemplo, em relação aos municípios, eles têm uma verba limitada a 15% para a área, não dá pra fazer tudo que é preciso fazer”, afirmou o médico.
O deputado citou como exemplo, o uso de tecnologia na área da saúde, que garantiria a integração e universalização de todo o sistema. Mas, segundo ele, muitos municípios, por falta de recursos, não conseguem a integração total ao sistema, o que, às vezes, acarreta até mesmo a demora no atendimento a pacientes. A falta de diálogo entre os entes da federação também foi apontada pelo deputado como uma questão a ser solucionada para a melhoria na saúde pública em todo o país.
Consciência política
Aluna do curso de formação política, a jornalista Jaciane Silote tem achado positivos os ensinamentos nas aulas e destaca a importância de a população aprender sobre políticas públicas desde cedo.
“Não adianta a gente falar que não gosta de política, porque ela é fundamental, inclusive para os jovens (…) quando a gente é mais novo fica ‘ah, eu não quero saber de política’ (…) mas esse é um assunto que tem que começar a ser discutido desde novo, em casa, na escola (…), e a partir do momento que a gente entende como funciona a política, acaba se apaixonando. É bom você entender e saber que a política ajuda em todos os âmbitos, ela é fundamental em todas as áreas”, disse a aluna.
Funcionamento
A Escola de Formação Política para Jovens teve início em 8 de maio, com aula inaugural proferida pelo presidente da Ales, deputado Marcelo Santos (União). Ao todo, 11 municípios participam do projeto, que contou com a inscrição de 700 pessoas. Além de Vitória, a formação está acontecendo em outros 10 municípios do Estado.
As aulas não têm qualquer viés ideológico e o objetivo é oferecer aos alunos informações e conhecimento sobre políticas públicas em várias áreas de interesse social. Em Vitória, já foram abordados temas como agricultura, meio ambiente e relação entre os Poderes.
Fonte: POLÍTICA ES








































