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Psicanalistas defendem inclusão no SUS

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Por iniciativa do deputado Coronel Weliton (PRD) a Assembleia Legislativa realizou na tarde desta quarta-feira (29) sessão especial para debater a importância da psicanálise na sociedade contemporânea.

As discussões foram dominadas pela defesa de mais valorização da especialidade, com apresentação de demandas do setor para que os profissionais da área, a exemplo de psiquiatras e psicólogos, também sejam inseridos no sistema público de saúde.

Fotos da sessão especial

A vice-presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Espírito Santo, Maria Imaculada Poltronieri, explicou que enquanto a psiquiatra remonta a Hipócrates (Pai da Medicina) e trata dos transtornos mentais, a psicologia cuida do que pode ser observado e mensurado no campo da fenomenologia.

Já a psicanálise, fundada por Sigmund Freud, em 1882, se desenvolve a partir da análise de coisas emergidas do inconsciente, e pode ser exercida por pessoa com graduação em qualquer área no Brasil.

Ela observou que em sua obra Freud não se refere à psicologia ou à medicina como área de conhecimento necessária para o exercício da psicanálise.
“Sou graduada em psicologia e não estou contra a psicologia. Estou simplesmente defendendo a autonomia da psicanálise (em relação à psicologia e psiquiatria)”, afirmou.

Imaculada defendeu ainda que setores da área de saúde mental deixem de ver a psicanálise como algo estranho, mas passem a valorizá-la como um saber que possa se somar aos esforços dos psiquiatras e dos psicólogos nos desafios de promover o bem-estar físico e emocional das pessoas.

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Prática legal

A advogada Fabiana Marçal Vasconcellos, especialista em direito da família, abordou aspectos legais que orientam a formação e a autorização da prática da psicanálise no Brasil.

Ela explicou que a atividade é legitimada pelo artigo 5º da Constituição Federal, segundo o qual é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações que a lei estabelecer.

O ofício é também registrado no Ministério do Trabalho, dentro da classificação brasileira de ocupação de número 2.515/50, que diz que a ocupação psicanalítica é uma formação que segue princípios, processos e procedimentos definidos pelas instituições formadoras.

“Diz ainda o Ministério do Trabalho que o psicanalista pode ter diferentes formações a nível de terceiro grau ou graduação compatível, citando como exemplo, engenheiros, médicos, filósofos”, acrescentou.

A advogada lembra, no entanto, que existem pré-requisitos para uma pessoa graduada se tornar psicanalista, pois, além de curso superior, é preciso fazer na escola psicanalítica em que se formou um estudo teórico permanente, análise pessoal e supervisão.

“Se não cumprir essas normas a pessoa não estará apta a atuar como psicanalista”, esclareceu, defendendo que profissionais da área sejam contratados para atuar não só na saúde pública, mas também pelos planos de saúde.

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Inconsciente

Membro da Escola Freudiana de Vitória, o psicanalista Alberto Mário Poltronieri, explicou que, após Freud, várias escolas de psicanálise surgiram pelo mundo, entre elas as lideradas por Lacan, Winnicott, Ana Freud, Bion, Melaine Klein, Carl Jung e Eric From.

Mas todas as linhas de abordagem, segundo ele, buscam trazer à luz coisas do inconsciente humano, que não podem ser observadas à luz da psicologia ou psiquiatria.

“Freud trouxe à luz a verdade da psicossomática, inclusive quando os nossos conflitos psíquicos interferem no corpo humano sob a manifestação de várias doenças”, afirmou.

Alberto disse ainda que a psicanálise pode ajudar no campo psicoemocional, quando o paciente em observação vive sob angústia, ansiedade e sentimentos confusos.

“A pessoa parece estar num velório, mas não há velório. E não há nada no campo racional que indique de onde vem os problemas. Isso é a voz do inconsciente. E a psicanálise é o tratamento que vai dar credibilidade a esta fala do paciente e trabalhar na raiz, na origem dos sintomas”, disse.

Coronel Weliton anunciou que promoverá novos debates sobre a importância da psicanálise na saúde mental e emocional dos capixabas. “Acredito que temos muito o que discutir, e até mesmo elaborar iniciativas que possam inserir esses profissionais na saúde pública estadual”, finalizou.

Fonte: POLÍTICA ES

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