A Comissão de Meio Ambiente realizou reunião, nesta terça-feira (1º), para acompanhar o cumprimento das metas dos Termos de Compromisso Ambiental (TCAs) 035 e 036/2018 (Vale e ArcelorMittal) visando à melhoria da qualidade do ar na Grande Vitória.
No encontro, as empresas apresentaram o andamento das metas e o emprego de tecnologias para o controle das emissões atmosféricas, como o enclausuramento, as windfences (barreiras de vento) e os canhões de névoa, entre outros equipamentos que vêm sendo implantados ao longo dos anos e são assunto recorrente nas reuniões do colegiado.
Um índice que chamou a atenção, durante a reunião, foi apresentado pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema). Segundo o instituto, o ar na Grande Vitória está bom em 98% das medições, de acordo com os parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A gerente de controle e licenciamento ambiental do órgão, Delanie Tienne, explicou que esse índice não considera a poeira sedimentável, por isso o pó preto não é levado em conta nessa medição.
“A gente tem trabalhado para tentar fazer o dimensionamento dessa poeira sedimentável (…) melhorando as tecnologias de monitoramento. Vai ser contratado agora um monitoramento automático e a gente vai poder verificar melhor a realidade, os picos dessa sedimentação de poeira”, detalhou a gerente em entrevista à TV Ales.
Pó preto
Para o presidente da ONG Juntos SOS ES Ambiental, Eraylton Moreschi, não há como questionar o dado apresentado pelo Iema, já que o índice não leva em consideração a poeira sedimentável.
Mas, sobre o pó preto, Moreschi exibiu números que apontam aumento. “E tem aumentado continuamente. E o pior é que foram gastos bilhões pela Vale e pela ArcelorMittal”, destacou o ambientalista em entrevista à emissora de TV.
Ele comparou os dados referentes ao período de setembro de 2018 a janeiro de 2019 com setembro de 2024 a janeiro de 2025. Segundo o levantamento feito pela ONG, os números estão maiores em 82% das medições.
Para Moreschi, é urgente descobrir as fontes desses materiais analisados nas estações de monitoramento. “Sem isso vamos ficar sem saber os responsáveis e sem poder tomar providências”, disse.
Durante a reunião, técnicos do Iema citaram que as medições são influenciadas também pelo posicionamento dos ventos, pelas partículas provenientes da construção civil, por obras de asfaltamento, entre outros fatores.
Mudança nos parâmetros
De acordo com Moreschi, um estudo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) mostrou que, quando a taxa de deposição de partículas fica acima de 10g/m², 74% da população da Grande Vitória se sente incomodada.
Os dados são confirmados pelo Iema, que nota aumento na quantidade de reclamações de cidadãos quando esse índice atinge os 10g. Os parâmetros atuais permitem até 14g.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Gandini (PSD), fez uma avaliação dos dados apresentados pelos convidados: “Em geral, o acordo que foi feito está praticamente finalizado. Faltam poucas obras de infraestrutura. A Vale fala que acaba agora em abril, já a Arcelor pede mais um ano para um equipamento”, informou o parlamentar à TV Ales.
“Tudo o que foi pactuado foi realizado. No entanto, a gente ainda precisa de mais avanços (…). A poeira sedimentável ainda causa muito incômodo aos moradores e precisa avançar. A legislação estadual que vai ser enviada, o decreto novo, a gente acredita que deve avançar, deve cair de 14 para 10g. É o que a gente está defendendo aqui na comissão (…)”, explicou.
“A gente considera superimportante uma informação que o Iema deu também, que é o monitoramento contínuo (…) até para que a intervenção possa ser feita no momento que houver a distorção”, finalizou Gandini.
Fonte: POLÍTICA ES





































