O falecimento da Procuradora de Justiça aposentada do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), Célia Lúcia Vaz de Araújo, comoveu a instituição e setores ligados ao Ministério Público capixaba. “Celinha”, como era carinhosamente chamada, faleceu na manhã desta quarta-feira (04), aos 77 anos, com um legado de atuação firme em prol dos direitos humanos e dos direitos fundamentais.
Membros e servidores do MPES lamentaram a perda de Célia Lúcia, que atuou como Promotora e Procuradora de Justiça, e esteve à frente do Centro de Apoio Operacional de Defesa Comunitária (CACO), do Centro de Apoio Operacional de Defesa Cível e da Cidadania (CACC) e da Comissão de Direito à Diversidade Sexual (CDDS).
O velório será realizado das 9h às 13h30 desta quinta-feira (05/12), no Primícias Memorial House, em Vitória. O sepultamento será às 14h, no mesmo dia, no Cemitério Jardim da Paz, na Serra.
Carreira
Célia Lúcia Vaz de Araújo ingressou no MPES em 1978 como Promotora de Justiça Substituta, atuando nas Promotorias de Justiça de Barra de São Francisco, Cariacica, Anchieta, Afonso Cláudio, Mantenópolis, Ecoporanga, Baixo Guandu, Mimoso do Sul, Domingos Martins, Aracruz, Nova Venécia, São Mateus, Vila Velha, Serra e Santa Leopoldina.
Promovida por merecimento para o cargo de Promotora de Justiça, em 1981, atuou em diversos municípios, como Mucurici, Conceição da Barra, Montanha, São Gabriel da Palha, Pancas, Colatina, Domingos Martins e Iúna Cariacica, Vila Velha, Serra, Viana e Vitória. Ainda, foi titular do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Criad).
Em 1996 foi promovida para o cargo de Procuradora de Justiça. Na função, foi conselheira do Conselho Superior do Ministério Público do Estado do Espírito Santo, de 2010 a 2011 e coordenou o Colegiado Permanente de Estudos e Atuação Estratégica (Ceate/Caco), em 2012. Também foi membra do Conselho do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (CEAF), de 2011 a 2013; e da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos Humanos, que integra o Comitê Estadual de Enfrentamento às Drogas (COPEDH) no âmbito do MPES.
Com uma atuação voltada aos direitos humanos e igualdade de gênero, integrou a CDDS, coordenando-a de 2016 a 2022. Atuou ainda no Grupo de Trabalho de Recuperação do Rio Doce (GTRD).
CACO
Na área social, esteve à frente do CACO, de 2012 até sua aposentadoria, em 2022. Trabalhou em parceria com diversas instituições e municípios para fortalecer a rede de proteção social e assegurar os direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Após 43 anos de dedicação ao MPES e à sociedade capixaba, Célia Lúcia Vaz de Araújo aposentou-se em 22 de fevereiro de 2022.
Sua partida, em 04 de dezembro de 2024, entristece membros, servidores e demais pessoas que conheceram a trajetória de “Celinha”, mas lembram do legado dela de cuidado e trabalho em defesa dos mais vulneráveis.
Nota
Nota
A Comissão de Direito à Diversidade Sexual e à Identidade de Gênero (CDDS), que foi coordenada por Célia Lúcia até 2021, divulgou nota sobre a perda da Procuradora de Justiça. Veja o texto na íntegra:
“É com muita tristeza que a CDDS recebeu a notícia do falecimento da Dra. Celia. Enquanto Coordenadora da Comissão de Direito à Diversidade Sexual e à Identidade de Gênero, até o ano de 2021, permaneceu fiel à defesa dos direitos humanos, notadamente das minorias, luta que permeou sua atuação como promotora e procuradora de Justiça. Traçou e inspirou os rumos que a comissão trilharia mesmo após sua aposentadoria e deixou um legado que ultrapassará o período vivido entre nós. Muito obrigado, Celinha. Você será sempre lembrada e celebrada.
Homenagens
Em um vídeo de homenagem a Célia Lúcia, realizado pela Assessoria de Comunicação do MPES, por ocasião da aposentadoria dela, em 2022, membros e servidores destacaram vivências e aprendizados que compartilharam com a Procuradora de Justiça.
A decana da instituição, Procuradora de Justiça Catarina Cecin Gazele, relembrou que ingressou no MPES no mesmo concurso que Célia Lúcia, integrando o grupo das primeiras seis mulheres na carreira ministerial no Estado. “Foram seis mulheres que quebraram paradigmas aqui, que brigavam pelos seus direitos e pelos direitos de outras mulheres”, enfatizou. A Procuradora de Justiça lembra que, assim como ela, Célia Lúcia sempre gostou de ajudar o próximo, atuar em favor dos direitos humanos.
Por sua vez, a Procuradora de Justiça aposentada, Miriam Silveira, também aprovada no mesmo concurso que Célia Lúcia, pontuou as qualidades da colega. “É uma pessoa muito equilibrada, muito conciliadora e agregadora, ela gosta de agregar e de que as coisas deem certo”, disse.
Sociedade
A Subprocuradora-Geral de Justiça Institucional, Luciana Andrade, que era Procuradora-Geral de Justiça à época da aposentadoria de Célia Lúcia, falou sobre a importante atuação da homenageada para o MPES e para a sociedade capixaba, sobretudo na luta pela igualdade e respeito às minorias. “É uma pessoa doce, encantadora e que ama a instituição, ama o Ministério Público. Dra. Celia sempre representou esse ideal de igualdade, de respeito às minorias, às diferenças”, pontuou Luciana Andrade.
A Promotora de Justiça Cível de Vitória Sandra Maria Ferreira de Souza ressaltou a convivência muito próxima com “Celinha”. “Dra. Célia quando eu ainda era servidora no Fórum de Cariacica e, depois, quando entrei no MP, nosso interesse pelas causas voltadas aos Direitos Humanos nos uniu mais ainda, proporcionando enfrentarmos juntas muitos desafios e também vibrar com conquistas em prol dos Direitos Humanos!”, lembra. A Promotora de Justiça destacou, também, a sabedoria e sensibilidade de Celinha , que faziam a diferença na atuação dela. “Desfrutar de sua amizade foi um privilégio nessa nossa jornada!”, completou.
Para a servidora Flávia Cazzotto, que atuou por anos com “Celinha”, a Procuradora de Justiça inaugurou um novo tempo na coordenação do CACO. “Quando ela assumiu o CACO, em 2012, trouxe uma nova roupagem para o setor, por conta da sensibilidade que ela tem na atuação com as questões sociais. E o que a Dra. Célia mais fez foi ter a coragem de ser gentil com aqueles que são invisíveis para a maioria”, declarou a servidora.
Para assistir a homenagem completa, acesse:
- Com informações do Memorial do MPES.
Fonte: MINISTÉRIO PÚBLICO ES






































