A Exposição 190 Caminhos da Cidadania, em cartaz na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) até 31 de agosto, reúne obras contemporâneas produzidas especialmente para celebrar os 190 anos da Casa.
Na exposição, cada um dos oito artistas convidados recebeu uma palavra-tema ligada aos valores democráticos para desenvolver uma obra inédita. Entre esses temas estão transparência e democracia, traduzidas nas obras dos artistas Sandro Novaes e Lando, respectivamente.
Transparência
Na instalação “Transparência”, o artista visual, pesquisador e professor Sandro Novaes transforma o conceito de transparência em uma experiência sensorial e reflexiva.
Reconhecido como um dos representantes da nova geração da arte contemporânea capixaba, o artista desenvolve pesquisas que levam o desenho ao espaço tridimensional por meio de materiais como ferro, linhas, fios, madeira, pintura, vinil adesivo e projeções.
“Eu fui designado a criar algo sobre transparência, porém voltado dentro da minha pesquisa, que é transformar o desenho em uma tridimensionalidade, trazer o desenho para a escultura, para o espaço”, explicou.
A instalação é composta por linhas semitransparentes que se cruzam e formam uma trama instável de visibilidade. No ambiente, surgem uma esfera e uma semiesfera, permitindo que o visitante enxergue através das formas e reflita sobre os diferentes sentidos da transparência.
Segundo o texto curatorial de Ronaldo Barbosa, a obra propõe compreender a transparência não como uma condição fixa, mas como um processo permanente de construção. As linhas semitransparentes sugerem que aquilo que se torna visível é resultado das relações entre diferentes presenças, ideias e perspectivas.
Dentro da proposta da exposição, o conceito também dialoga com valores fundamentais da administração pública, como acesso à informação, visibilidade das ações do Estado, prestação de contas, confiança entre poder público e sociedade e participação cidadã.
Além do aspecto visual, a obra estabelece um diálogo direto com a história da Assembleia Legislativa e com os princípios da democracia. “A ideia da esfera foi trazer a questão da esfera pública. Estamos na Assembleia, celebrando 190 anos, quase dois séculos de um espaço de democracia, um espaço de discussão, de conversa, de discurso para um bem comum”, afirmou.
“Eu crio uma esfera e uma semiesfera, as duas com uma certa transparência, que você consegue olhar entre elas. Não é uma transparência de 100%, mas é uma coisa que você consegue enxergar além, por dentro ou entre elas, através delas”, detalhou.
Natural de Vila Velha, Sandro é bacharel e mestre em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mestre em Produção e Investigação em Arte e doutor em História e Artes pela Universidade de Granada.
Democracia
Um toque de irreverência e um multicolorido que, num primeiro olhar, podem até remeter a um quarto de criança com brinquedos espalhados ou a uma colorida fábrica de doces. Com esses elementos o artista Lando traz em sua obra um convite à reflexão sobre a democracia.
O artista confessa a intenção de trazer para a obra uma ideia de brincadeira divertida, mas o pano de fundo traz imagens de gritos, olhares desesperados e outras tantas referências à diversidade de representações que a democracia requer.
Esses pequenos elementos modelados em massa e apoiados em carrinhos de brinquedo ou acompanhados por animais são chamados pelo artista de “doces bárbaros”, como descreve o curador da mostra, Ronaldo Barbosa. “Reunidas, essas figuras evocam as multidões da cidade: corpos singulares que coexistem no espaço comum”, completa.
“A obra sugere a democracia como experiência sensível de convivência, onde diferenças, histórias e afetos se encontram e tornam visível a pluralidade da vida coletiva”, resume Ronaldo Barbosa.
Além da massinha de modelar, muito conhecida pelas crianças, Lando também criou personagens em cerâmica com feições parecidas com máscaras teatrais que carregam expressões intensas.
“Acho parecidas com algumas pessoas, com personagens de quadrinhos, de filmes de animação, esse tipo de coisa (…). E o volume deu essa ideia das diferenças, da coisa da democracia, da reivindicação, do apelo popular. Então, trouxe essa força expressiva pela quantidade, pela variedade de formas. Sinto que a obra cumpriu bem a proposta e as pessoas têm me dado retorno bem positivo”, relata.
Orlando da Rosa Farya, conhecido artisticamente como Lando, nasceu em Vitória (ES) em 1957, formado em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo em 1984. É mestre em História Social da Cultura pela PUC – Rio de Janeiro. É doutor em pintura, pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Em 1999, tornou-se professor de pintura e vídeo no curso de Artes da Ufes.
Exposição prorrogada
A exposição 190 Caminhos da Cidadania reúne acervo histórico da Assembleia, documentos, fotografias, obras de artistas consagrados e oito trabalhos contemporâneos produzidos exclusivamente para a mostra, cada um inspirado em um valor ligado à democracia, como liberdade, diversidade, memória, cidadania e transparência.
Inicialmente prevista para encerrar em julho, a exposição foi prorrogada até 31 de agosto, permitindo que mais visitantes conheçam a trajetória dos 190 anos do Parlamento capixaba por meio da arte, da história e da participação cidadã.
Exposição 190 Caminhos da Cidadania
Local: Assembleia Legislativa do ES — Av. Américo Buaiz, 205, Enseada do Suá
Visitação: Segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas – até 31 de agosto de 2026
Entrada gratuita
Fonte: POLÍTICA ES





































