Após relatos de rachaduras em um dos principais cartões postais do Espírito Santo, a Comissão de Infraestrutura fez uma reunião para discutir a segurança e a manutenção da Terceira Ponte, sobretudo relacionada às estruturas da Ciclovia da Vida, via específica para bicicletas na ligação entre os municípios de Vitória e Vila Velha. A reunião foi conduzida pelo presidente do colegiado, deputado Alexandre Xambinho (Podemos).
O engenheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES), Geraldo Rossoni Sisquini, falou sobre as rachaduras que apareceram na estrutura, trazendo sensação de insegurança para os usuários.
“A Ciclovia da Vida, na Terceira Ponte, foi inaugurada em agosto de 2023. E, um ano depois, apareceu essa questão das trincas. É algo que nós estamos acompanhando com inspeções rotineiras e fazendo as recomendações para manutenção. Tecnicamente falando, não há comprometimento da segurança do local. Então, não seria uma questão tanto de segurança, mas, uma questão visual, que é algo também muito estudado na engenharia.
Então, visualmente, o usuário precisa se sentir seguro”, disse o engenheiro.
Vídeos e relatos de ciclistas sobre rachaduras em uma parte da estrutura da ciclovia motivaram vistoria técnica no local na semana passada. “Nós localizamos o dano, fizemos as recomendações. E o que deveria ser feito naquele momento foi feito de acordo com a nossa avaliação. É importante dizer que não existiu risco de queda de pessoas, destacando que nosso bem maior são os capixabas, usuários dessa via. Mas nós precisamos ponderar que é uma estrutura que precisa de vistoria e manutenção constante”, disse o engenheiro Paulo Tarso, também do Crea-ES.
A Ciclovia da Vida foi inaugurada em 27 de agosto de 2023, com a entrega também da ampliação do número de faixas da Terceira Ponte, estrutura importante de mobilidade da Região Metropolitana. Além da questão da mobilidade urbana para transporte por meio de bicicleta, a ciclovia também foi projetada como uma rede de proteção para inibir casos de suicídio. O uso da ciclovia, que compreende um trecho de 3,5km de extensão e 2 metros de largura, é gratuito.
Manutenção da estrutura
Após 25 anos sob administração de iniciativa privada, o Executivo assumiu a gestão da Terceira Ponte em dezembro de 2023, por meio da Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros (Ceturb-ES). Xambinho questionou as inspeções da Terceira Ponte. “Antes, a administração da Terceira Ponte estava em uma concessão. E nós víamos essa manutenção quase que instantemente. Nossa preocupação é como essa inspeção e essa manutenção estão acontecendo agora que essa estrutura está totalmente administrada pelo poder público”, questionou o parlamentar.
A diretora de Gestão de Rodovias da Ceturb-ES, Natasha de Oliveira Solleiro, explicou que as manutenções estão sendo feitas e que a responsabilidade é dividida entre os órgãos do Estado. “Nós fazemos a gestão dessa estrutura. Hoje, o DER (Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo) atua na conservação e a Semobi (Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura), na iluminação e na manutenção. E nós estamos em fase de contratação de uma empresa para determinados serviços. É importante dizer que nós estamos em tempo integral na ponte com vistoria, manutenção e intervenção quando necessária”, explicou a diretora.
“A Semobi tem uma equipe de engenharia. Então, estamos elaborando um termo de referência, com engenheiros, arquitetos e advogados, para a contratação da empresa que será responsável por determinadas intervenções. Mas, enquanto isso não acontece, seguimos com todos os cuidados na estrutura”, acrescentou o diretor da Semobi, José Eduardo de Oliveira.
A Metalvix, empresa que fazia parte do consórcio que realizou a obra da ciclovia na ponte, também enviou representante para a reunião. Daniel Santos reforçou a segurança da estrutura.
“Essa é uma obra que traz muito orgulho pra nós. Uma obra complexa, que envolveu grandes projetistas. É uma ponte alta, com muito tráfego e muito vento. Ela é mista: de aço e de concreto, e esses dois materiais se comportam de maneira diferente nas mesmas condições. Então, algumas coisas são mesmo esperadas para uma estrutura desse porte, mas, que, em hipótese alguma, coloca os usuários em risco”, disse.
Fonte: POLÍTICA ES







































