Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

História e cultura afro ainda são barradas na educação

O evento foi promovido pela Comissão dos Direitos Humanos / Foto: Heloísa Mendonça Ribeiro

publicidade

A sociedade capixaba, em especial as pessoas negras, deve estar atenta para enfrentar “as barreiras” levantadas por forças políticas no sentido de intimidar professores e diretores que se preocupam em ensinar a história e a cultura afro-brasileira. Um conteúdo que é obrigatório desde 2003 em estabelecimentos públicos e privados de ensino fundamental e médio do Brasil.

A declaração foi feita pela presidente da Comissão dos Direitos Humanos, deputada Camila Valadão (PSOL) ao abrir na tarde desta sexta-feira (28) a 3ª Jornada Antirracista promovida pelo colegiado da Ales.

Ela explicou que decidiu colocar o foco da Jornada de 2025 contra o racismo nas escolas capixabas em decorrência de perseguições que os profissionais de ensino no estado e no país têm sofrido, principalmente os que tentam discutir com os alunos aspectos relacionados às religiões de matrizes africanas mediante uma perspectiva histórica e cultural.

“Isso acontece em todo o país; em São Paulo uma escola foi invadida por policiais com armamento pesado para reprimir o cumprimento da Lei federal 10.639 que tornou obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira na rede de ensino”, citou.

A deputada relatou que para enfrentar a situação no Espírito Santo o mandato dela decidiu, entre outras medidas, confeccionar uma cartilha com orientações aos profissionais de ensino sobre como enfrentar as “ameaças” contra o ensino da história e da cultura dos negros. “Conseguimos também lançar um edital que selecionou 20 escolas em todo o estado que desenvolvem ações antirracistas para receberem individualmente R$ 25 mil no sentido de dar prosseguimento a essas ações”, acrescentou.

Leia Também:  ES reconhece airsoft e paintball como modalidades esportivas

Fotos do evento

Projetos contemplados

As unidades de ensino contempladas com os recursos apresentaram seus projetos durante a jornada na Ales.

Uma delas, na zona rural de Pinheiros, município da região norte, desenvolve o projeto “Semeando versos de resistência”, utilizando por meio do Slam (manifestação cultural de influência negra) repertório estimulando práticas antirracistas.

“O Slam e a produção de livros infantis com essa temática nos tem permitido promover o protagonismo negro e também o campesinato negro”, explicou a professora Maria Luiza Santos Ricardo, da escola de campo Margem de Itauninhas, em Pinheiros.

O edital contemplou também escolas que promovem a cultura e os saberes indígenas como forma de empoderar os povos primitivos através da preservação do meio ambiente.

Uma delas funciona em aldeia de Aracruz utilizando a apicultura como meio de preservar a cultura indígena no modo de lidar com as abelhas e a produção de mel.

“A gente está criando um meliponário (colmeias de abelhas) na escola para desenvolver estudos científicos e culturais juntamente com as tradições indígenas para aprofundar e divulgar esses conhecimentos”, explicou a professora Clarissa Azeredo, que idealizou as ações.

Leia Também:  Governo e Ales reforçam parceria durante entrega em Anchieta

Especialistas em educação

A jornada contou com palestras de especialistas no ensino comprometidas com a causa da disseminação da cultura e da história negra nas escolas capixabas.

Uma delas é a educadora e pesquisadora das relações étnico-raciais no ambiente estudantil, Ana Paula Rocha, atualmente exercendo mandato de vereadora na Câmara de Vitória.

“Escolhi a escola como espaço de militância por uma sociedade mais justa que passa pela destruição do racismo. A escola deve ser um espaço de garantia de direitos”, refletiu.

Outra a falar aos presentes foi a professora e pesquisadora Débora Cristina de Araujo, doutora e mestra em Educação, que atua na formação de educadores e coordena o grupo de estudos LitERÊtura, no campus da Ufes (Goiabeiras).

Ela abordou o marco histórico da legislação que resultou nas diretrizes curriculares nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino da história e da cultura afro-brasileira e africana.

“A educação antirracista não se constitui apenas como uma medida pedagógica, mas também como imperativo legal e agenda de reestruturação política e epistemológica”, observou.

As educadoras e pesquisadoras em educação, Rosimery Coelho, da rede municipal de ensino de Vitória e a educadora infantil Sarita Faustino também compuseram a mesa relatando suas experiências na promoção da cultura e da história afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio do Espírito Santo.

Fonte: POLÍTICA ES

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade