Uma política pública destinada aos hospitais de pequeno porte (HPPs) – principalmente aos da rede filantrópica localizados no interior do estado – é o que almeja a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (Ales).
Em audiência pública realizada nesta terça-feira (18), o colegiado reuniu representantes da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Espírito Santo (Fehofes), de unidades hospitalares de vários municípios e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para debater formas de integrar os HPPs à rede estadual.
Segundo o presidente da comissão, deputado Dr. Bruno Resende (União), há mais de mil leitos de baixa complexidade disponíveis nesses hospitais, prontos para serem contratados pela Sesa.
De acordo com o parlamentar, o aproveitamento desses leitos ajuda a descentralizar o atendimento. Ele deu como exemplo casos de pessoas em cuidados paliativos, internadas em cidades distantes de suas casas e que poderiam estar utilizando essas vagas para ficarem mais próximas de suas famílias.
“Temos prontos no estado – e não contratualizados dentro da rede de hospitais de pequeno porte – uns 1.100 a 1.200 leitos. Ou seja, nós temos prontos mais de mil leitos que a gente precisa estudar como utilizar e se faz sentido a gente utilizar esses leitos”, pontuou.
Responsabilidade
Representante da Sesa, a gerente de Política e Organização de Redes de Atenção em Saúde, Rose Mary Santana, disse que o Estado busca o melhor atendimento para a população. “Outro ponto importante é que, quando a gente vai contratualizar, a gente pensa em uma política pública para o estado. Não pode ser uma análise rasa, mas realmente ver se isso está conversando com a necessidade”, comentou.
Para a gestora, primeiramente é importante uma atenção primária resolutiva. “Se a atenção primária não for resolutiva, os casos vão para o pronto-socorro e isso onera esse equipamento”, apontou.
Ela entende que as unidades hospitalares e as prefeituras de uma determinada região, por exemplo, precisam conversar entre elas para oferecerem diferentes tipos de atendimento. Assim, o Estado pode contratar serviços especializados que atendam às demandas da população.
Exemplos
A especialização foi justamente uma das soluções utilizadas pelo Hospital Evangélico de Santa Leopoldina. A unidade fundada em 1974 passou para a gestão da Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense (Aebes) em 2022.
Hoje, é referência em cirurgias vasculares. “É um hospital estratégico na região, tem 25 leitos e é referência na cirurgia de varizes no estado”, afirmou a diretora Kelem Oliveira. A unidade é credenciada junto à Sesa.
Outro exemplo de contratação do estado é a Santa Casa de Misericórdia Jesus Maria José, fundada em 1942 em Muniz Freire. Em 2022, de acordo com o diretor Ivens Guimarães, houve uma virada de gestão com a digitalização, revisão de contratações, reformas e ampliações. Alguns dos destaques são o ambulatório com oito especialidades médicas e o pronto-socorro 24 horas.
Para o presidente da Comissão de Saúde, os contratos entre a pasta da Saúde e os HPPs são bons para o Estado, para os hospitais e para a população.
“O Estado tem feito obras importantes: o Complexo Norte, em São Mateus; o novo Hospital Silvio Avidos, em Colatina; o Hospital do Câncer, em Cachoeiro; o Hospital Geral de Cariacica (…). Mas, apesar de eu achar que essas obras são fundamentais para o Espírito Santo, pois são hospitais de grande porte de alta complexidade, ainda faltam leitos de suporte, de cuidados paliativos e uma rede rede capilarizada com hospitais de pequeno porte para colocar o paciente mais próximo da sua família”, opinou Dr. Bruno Resende.
Fonte: POLÍTICA ES





































