Durante a sessão ordinária desta segunda-feira (17), deputados usaram a tribuna da Assembleia Legislativa (Ales) para repercutirem dados e situações de violências em todo o Espírito Santo. Furto, depredação de patrimônio, tiroteios e lesão corporal contra crianças e adolescentes estavam entre as denúncias e cobranças ao microfone.
Apresentando um vídeo sobre troca de tiros no município de Iúna, o deputado Coronel Weliton (PRD) cobrou mais efetivo policial para a região do Caparaó e considerou a necessidade de a Segurança Pública estadual rever o sistema 190 de denúncia. Para o parlamentar, a burocracia estaria atrasando atendimento de ocorrências.
“Alguns incidentes que estão acontecendo no Caparaó capixaba, em especial no município de Iúna. Troca de tiros no bairro do Quilombo, e encarecidamente pedimos ao governo do Estado que faça o reforço daquelas unidades, tanto a Polícia Civil, quanto a Polícia Militar (…). Fatos como esses, de troca de tiros, de tiros nas propriedades, têm sido muito comuns, e infelizmente esses casos ainda estão acontecendo por conta da defasagem do número de efetivo”, afirmou o parlamentar.
Já o deputado Callegari (PL), citando casos de furtos em Vargem Alta, cobrou mais repressão do governo do ES contra criminosos.
“Ontem furtaram a loja de conveniência no posto de gasolina na entrada do município. Vocês acham que é fato isolado? Não! Nas últimas semanas já foram mais de cinco arrombamentos numa cidadezinha de 20 mil habitantes. A violência tomou conta do campo no ES, tomou conta das pequenas cidades. Volto a dizer, o que gera violência? Primeiro a desconstrução moral que o Brasil sofreu nos últimos anos (…). E, em segundo lugar, a falta da única linguagem que vagabundo entende, que é repressão, repressão e repressão”, refletiu Callegari.
O deputado da oposição ainda pediu ao Poder Executivo a instalação de mais companhias independentes de polícia no interior. “Governador, pegue os municípios do interior com menos de 30 mil habitantes, selecione aqueles com maiores índices de violência, pelo menos três, e coloque companhias independentes provisórias. (…) diminuiu a violência nesses municípios? Pegue essas companhias e coloque em outros três municípios que estejam liderando o ranking”, sugeriu.
Vitória
A violência na capital Vitória pautou discurso de Mazinho dos Anjos (PSDB). O tucano afirmou que comerciantes e moradores vêm reclamando de situações de furto e depredação de patrimônio praticados por pessoas em situação de rua.
“Estou recebendo diariamente, principalmente de comerciantes, de síndicos de prédio, a questão de furtos e depredação de patrimônio feito por população de rua. Fui vereador de 2016 a 2020 e nós abrimos lá uma frente parlamentar. O relatório que nós fizemos junto à prefeitura e aos órgãos e entidades, Vitória tinha 600 pessoas em situação de rua. Ano passado o Ministério Público do Estado apresentou relatório e hoje nós temos mais de 1.200 pessoas em situação de rua na cidade. Isso demonstra principalmente uma ação ineficiente da Secretaria de Ação Social da prefeitura”, criticou Mazinho.
“A situação está grave. Se andar à noite na cidade de Vitória, as pessoas estão assustadas. As famílias não andam mais em Jardim da Penha, Praia do Canto à noite, em Jardim Camburi, em Bento Ferreira, por falta de segurança, por falta de atuação da Prefeitura de Vitória”, emendou. O parlamentar também cobrou mais diálogo do governo municipal com o governo estadual para cuidar do problema da violência. Antes, no Expediente da sessão, Mazinho alertou para o aumento dos crimes na zona rural.
Lesão corporal
A deputada Camila Valadão (Psol) também foi à tribuna para pedir medidas contra a violência, mas para uma forma muitas vezes invisibilizada, pois geralmente ocorre dentro dos lares: a lesão corporal contra crianças e adolescentes. A parlamentar apresentou dados de todo o ES.
“Só em janeiro foram 24 ocorrências de lesão corporal contra crianças, quase uma por dia, e esse é um tipo de crime praticamente invisível, crianças não votam, são propriedades dos pais, onde muitas vezes tentamos apagar a responsabilidade do Estado e da sociedade na garantia de direitos e na proteção de crianças e adolescentes”, lamentou.
Camila citou que só no ano passado foram 857 casos registrados de crianças vítimas desse tipo de violência. “Esse estado tem apenas uma única Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. O estado, com esse número de casos, tem até nos dias de hoje uma única DPCA, que fica aqui na cidade de Vitória. Serra não tem, com o quantitativo populacional que tem”.
“A gente está falando da importância do governo investir para que esses crimes sejam investigados e os responsáveis sejam punidos e responsabilizados”, defendeu Camila Valadão.
Fonte: POLÍTICA ES






































