A grande calculadora sobre as mesas dá indícios da função: desde os pagamentos dos servidores até o salário dos deputados, passando também pela parte dos contratos administrativos e empréstimos consignados. Essas são algumas responsabilidades dos Analistas Legislativos que trabalham no setor de Folha de Pagamento, área para a qual estão previstas quatro das cinco vagas do concurso da Assembleia Legislativa (Ales).
Esses servidores atuarão nas áreas de Contabilidade, Financeiro ou Folha de Pagamento, que pede formação em Ciências Contábeis ou Administração. Já a outra vaga de Analista Legislativo com preenchimento imediato é para a Secretaria Legislativa/Administrativa, que exige curso superior nas áreas administrativa, legislativa ou jurídica.
Confira os detalhes das vagas no edital do concurso
A servidora Célia Kopp Kutz assumiu o cargo no setor de Folha de Pagamento em 2016 e conta que o trabalho demanda bastante atenção. “Tem que ser uma pessoa centrada, porque aqui a gente lida com muitos números”, alerta.
“Também temos a folha dos estagiários, que é calculada aqui. Tem o pessoal do IPDE, que recebe os pensionistas do Instituto de Previdência dos Deputados, também apurado aqui”, completa a servidora.
Em razão da natureza do trabalho, Célia observa que o conhecimento sobre as leis é fundamental para o servidor que atua no setor. “Ele tem que estar muito voltado para essa parte de leis, conhecer um pouquinho das leis. Na parte que cuida dos comissionados, principalmente, tem que ter um pouco de conhecimento da área do Regime Geral e da Lei 46 (Regime Jurídico dos Servidores, de 1994). O candidato tem que ter conhecimento de todos os benefícios, como aplicar aqui”, exemplifica a Analista.
Cuidar do servidor
Em outra frente, Patrícia Izabel Freire atua na Secretaria de Gestão de Pessoas, onde atualmente coordena o Grupo de Recursos Humanos (GRH). Ela assumiu o cargo de Analista Legislativo em 2012, após ser aprovada no último concurso público da Ales.
A servidora conta que já passou por outros setores e funções. “Tive algumas passagens anteriormente ao RH, porque esse cargo possibilita que a gente trabalhe na estrutura administrativa da Casa. Então, eu entrei e fui lotada na Comissão de Compras, trabalhei lá por quatro anos. Depois, solicitei a transferência para a Escola do Legislativo, que tinha mais a ver com a experiência que eu já tinha anteriormente. Trabalhei lá por dois anos até ser convidada para vir para o RH para a função de coordenação do Grupo de Recursos Humanos”.
Patrícia relata que a rotina é intensa. “O cargo de Analista Legislativo tem uma carga horária de seis horas diárias. Na função de coordenação, aqui eu atuo oito horas diárias”.
A servidora afirma que gosta muito do cargo por ser uma posição que cuida do servidor. “Desde a nomeação do servidor, fazer os atos de nomeação. Depois de nomeado, o servidor tem toda a tratativa para posse, toda análise da documentação”, enumera.
E o trabalho não para por aí. Toda a vida do servidor é acompanhada pelo profissional de RH. Posse, marcação das férias, concessão de abonos (o servidor regido pela Lei Complementar 46/1994 tem direito a seis abonos anuais), frequência, estágios.
“Toda a situação que envolve o servidor, se ele precisa de uma liberação para um treinamento, para um curso, tudo isso passa aqui pelo RH. A gente fazendo a análise, fazendo as anotações em ficha funcional, um cadastro que, porventura, o servidor venha a alterar, tudo isso a gente cuida aqui, desde quando o servidor entra até a sua aposentadoria”, explica Patrícia.
A coordenadora do RH deixa a dica para os candidatos ao cargo de Analista Legislativo que pretendem atuar no setor:
“Primeiro ponto é gostar de gente. Todos os servidores da Casa passam por nós. Então, as pessoas chegam aqui com o desejo de se tornar servidor e já tem que ter a empatia a partir daí, da análise da documentação dela, se a gente pode ajudar caso ela não tenha algum documento em mãos, algo que a gente possa fazer. Então, esse cuidado, o gostar de pessoas, realmente a pessoa ser empática com a situação do outro, isso é um fundamental”, avalia a Analista.
Patrícia aponta ainda que a organização é uma habilidade primordial para quem vai assumir o cargo. “Hoje, um descuido de um documento pode impactar lá na aposentadoria dele quando a gente não tiver qualquer informação”.
Além disso, saber lidar bem com os colegas é crucial para o bom desenvolvimento do trabalho. “A gente é uma equipe grande aqui no RH, dentro da Secretaria de Gestão de Pessoas, pelo próprio número das tarefas que a gente trata aqui”.
A servidora ainda completa: “Precisa ser uma pessoa que tenha uma boa condição de comunicação e um interesse realmente em resolver situações. Porque o próprio setor público demanda burocracia. A burocracia é importante para a gente ter um procedimento para tratar cada situação”.
Carreira e benefícios
Se por um lado, do servidor da Ales é esperado desempenho de excelência; por outro, a Casa oferece muitos atrativos. É o que destaca Patrícia:
“Quando a gente entra tem aquele salário, o vencimento básico. Mas, depois de estar aqui, o servidor vai passar por avaliações. A gente tem a avaliação de desempenho, que é anual. A gente tem a questão do incentivo educacional, que ele também pode ter um ‘plus’ à medida que ele faz outros cursos, pós-graduações, mestrado e doutorado. Isso tem um impacto na carreira dele, no salário. De dois em dois anos, ele vai cumprir uma série de requisitos e pode crescer na carreira. E, a cada dois anos, ele tem essa elevação”.
A servidora explica que essa elevação não é de forma automática, mas depende do empenho do servidor. “Para isso, ele precisa ter uma boa avaliação de desempenho, que ele vai passar anualmente, que é exigência da lei mesmo. Será avaliado como é o relacionamento interpessoal dele, como é a iniciativa na resolução das situações que chegam para ele. A questão do desenvolvimento e do número de cursos que ele faz. Então, tudo isso é avaliado e ele pode chegar ao máximo da pontuação.”
Sonho e realização
Com os olhos marejados durante esse trecho da entrevista, Célia conta como sua vida foi impactada pela aprovação na Assembleia Legislativa. “Transformou muito, mudou muita coisa. Era o meu sonho passar no concurso público, então valeu a pena. Só tenho isso a dizer: valeu muito a pena”, finalizou.
Patrícia Freire também conta, com um sorriso no rosto, que começar a trabalhar na Casa do Povo foi uma alegria. “Eu sempre trabalhei em iniciativa privada e trabalhava com metas, trabalhava bastante, era bem sobrecarregado. Então, chegou um momento da minha vida em que decidi ter uma estabilidade. Vim para a Assembleia, prestei o concurso, graças a Deus fui aprovada”.
A servidora reforça que o período de preparação rendeu ótimos frutos. “Hoje eu sou muito realizada aqui, valeu super a pena, sou muito feliz em estar aqui.”
Fonte: POLÍTICA ES






































