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Um ano após desastre ambiental, Mimoso celebra a reconstrução

Após a audiência pública, foi inaugurado um memorial em homenagem às vítimas da tragédia / Foto: Anna Beatriz Brito

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Há um ano o município de Mimoso do Sul, no sul do Estado, sofria o maior desastre ambiental da sua história quando fortes chuvas devastaram a cidade e ocasionaram a morte de 19 pessoas. Em lembrança à tragédia, nesta segunda-feira (24) a Comissão de Saúde e a Frente Parlamentar de Enfrentamento às Enchentes da Região Sul realizaram audiência pública na Câmara Municipal da cidade. Deputados, autoridades de vários órgãos e poderes do Estado e moradores debateram as principais medidas para reconstruir o município e também evitar novos desastres.

O sentimento de gratidão pelo esforço coletivo para restabelecer o funcionamento da cidade com pouco mais de 26 mil habitantes foi a marca da reunião. “O que nós assistimos há um ano foi uma marca de devastação, Mimoso estava completamente destruída. Um ano depois, por força da união, da capacidade de trabalho, de superação, a cidade está reconstruída, a autoestima das pessoas está presente. E tudo isso só foi possível (…) por conta de muita solidariedade humana, muita misericórdia, de todos os capixabas”, destacou o governador em exercício Ricardo Ferraço (PSDB).

O comandante do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, coronel Alexandre Cerqueira, parabenizou a garra e a disposição dos moradores. “Já participei de vários desastres no Estado e o que aconteceu em Mimoso foi diferente e acima da média. A relação de óbitos em relação à área foi maior do que o que aconteceu no Rio Grande do Sul. Foi um desastre de nível nacional e, quiçá, global”, analisou.

Novo cenário

A recuperação da cidade foi destacada pelo prefeito de Mimoso do Sul, Peter Costa (Republicanos). “Naquele momento eu não imaginava que um ano após a enchente a cidade estaria como está hoje. Nossa cidade está recuperada, nossos comerciantes em grande parte já estão de volta, agora com a colheita do café tende a aquecer ainda mais o nosso comércio. Faltam alguns projetos para podermos entregar para a nossa população, só que temos que deixar a mensagem de que tudo que precisa ser feito para amenizar nas próximas chuvas está sendo feito”, afirmou.

O procurador-geral de Justiça, Francisco Martinez Berdeal, também parabenizou a recuperação de Mimoso. “Como a cidade se recuperou, como está bonita. Aquele cenário de guerra, de tsunami se superou e nos enche de alegria e esperança por dias melhores (…) Estamos juntos para dar continuidade aquilo que for preciso fazer. Essa audiência é para escutar o que precisamos para seguir adiante e evitar que tragédias como essa aconteçam novamente”, disse.

O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União), também lembrou como encontrou a cidade após a tragédia e destacou a colaboração da Ales: “Mimoso foi a cidade mais atingida pelas fortes chuvas há um ano. E aqui estivemos eu e o governador Renato Casagrande dentro das primeiras horas, mostrando a nossa solidariedade, mas também com a sensação, naquele dia, de impotência muito grande. E aí, naquele momento, nós destinamos R$ 17 milhões que havíamos economizado para o Fundo da Defesa Civil, para se somar a outros recursos e poder fazer valer a ação principal de ajudar essa cidade a se reerguer. Então, hoje, é o marco histórico, né?”, disse, em entrevista à TV Ales.

Principais ações

Representantes da Secretaria de Estado de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), do Departamento de Edificações de Rodovias do Estado (DER-ES), da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros apresentaram as principais ações realizadas de 23 de março do ano passado até hoje. Segundo o titular da Sedurb, Marcos Aurélio Soares da Silva, 37 mil metros cúbicos de resíduos sólidos foram registrados, com um investimento de R$ 32 milhões na limpeza da cidade e desassoreamento dos córregos.

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Ao todo, 244 caminhões de ajuda humanitária foram deslocados com mais de 113 mil itens e kits. “A maior parte com recursos da Defesa Civil; uma boa parte do ES Solidário; 10,5% de pessoas jurídicas. Detectamos o desastre de sexta para sábado e em 24 horas a ajuda humanitária já estava disponível”, informou o coordenador estadual adjunto da Defesa Civil, coronel Benício Ferrari Junior.

O gestor da Sedurb também falou sobre ações futuras e destacou, dentre os 21 projetos elaborados a partir de demandas da prefeitura, a obra da Praça José Coimbra no valor de R$ 4,2 milhões, que está em processo de licitação. Em breve, disse, haverá também a revitalização da Praça da Rodoviária.

Além disso, já foram identificados, por meio de chamamento público, três terrenos para a construção de 150 moradias populares. “Estão em análise pela equipe técnica para analisar a melhor viabilidade no terreno. Junto com esse edital assinamos recentemente um convênio para limpeza e desassoreamento dos córregos de Belmonte, Santa Marta, da Serra e do Rio Muqui do Sul no valor de R$ 3,3 milhões”, acrescentou.

Outra medida com estudo de viabilidade em andamento é a construção de um vertedouro no Rio Muqui do Sul para controlar e medir a vazão de água no canal, conforme explicou o secretário. O diretor-presidente do DER-ES, José Eustáquio de Freitas, apresentou os trechos em que já houve ou está em andamento a contenção de encostas e a recuperação de pontes, estradas e rodovias.

Barragem seca

Um dos projetos citado com frequência durante a audiência e aguardado pela população é a construção de duas barragens secas, cujo estudo está em fase de conclusão. Conforme explicou Freitas, a estimativa é que em julho seja publicado o edital e a previsão orçamentária é de R$ 64,8 milhões.

“Essa obra vai dar total condição de prevenir grandes volumes de chuva e será o investimento mais interessante para prevenir outra catástrofe dessa magnitude”, destacou. Em março passado, o volume de água do Rio Muqui do Sul subiu 9 metros e, segundo o governador em exercício Ricardo Ferraço, a partir de análise realizada por técnicos, se a barragem já tivesse sido construída o volume estaria por volta de dois metros.

O prefeito Peter Costa também está otimista com a instalação. “É um projeto que vai mudar a vida de uma cidade. Então a população fica tranquila, se Deus quiser, até o meio do ano vamos ter notícias boas e a gente vai estar iniciando essa obra tão esperada”, comemorou.

Meteorologia

Uma situação meteorológica completamente atípica foi a causa do desastre, como explicou o coordenador estadual adjunto da Defesa Civil. “Aqui ficou como uma bacia que recebeu água de muitas regiões. Analisamos dados de satélite e a estimativa é de em torno de 600 mm de chuva na região de Mimoso em 6 horas, o que é equivalente a mais ou menos uns seis meses de chuva. (…) Para se ter uma ideia, aquele desastre em 2011 em Petrópolis e Teresópolis foi da ordem de 400 mm de chuva em 12 horas. Isso resultou nessa situação em que mais da metade dos imóveis na sede de Mimoso ficaram dentro de uma mancha de inundação. Esse desastre foi o maior que a gente já teve em se tratando de impacto em um município”, analisou.

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Em relação ao alerta sobre chuvas fortes, o coronel Benício informou que a população foi avisada, mas que é preciso avançar ainda mais. Para isso, o governo implementou o Defesa Civil Alerta e contratou o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) para suprir a carência de diagnóstico dos equipamentos de superfície, como estações meteorológicas, radares e dados de satélites. “Começamos a ter uma equipe de plantão presencial com meteorologistas 24 horas por dia. Já tínhamos meteorologistas, mas não 24 horas por dia”, afirmou, acrescentando que, quando necessário, serão dois especialistas disponíveis.

Legislativo estadual

O proponente da reunião, deputado Dr. Bruno Resende (União), avaliou como positivo a audiência. “Nós que somos agentes públicos temos que prestar conta daquilo que a gente faz (…), então hoje tivemos dois momentos. Nós vimos o que o Estado pôde oferecer para Mimoso no momento da crise, da reconstrução e na prevenção de novas tragédias (…). Além disso, nós oferecemos o microfone aberto para a população e é fundamental para quem quer fazer política pública de verdade”, destacou o parlamentar, que preside a Comissão de Saúde a frente parlamentar.

A moradora Fabiola Rangel foi uma das que se manifestaram na reunião. Ela contou que convive com risco de alagamento na sua casa. “Achei muito interessante, muito válida essa audiência pública e eu logo me inscrevi para falar da realidade que está acontecendo. Eu, como moradora, acredito que represento um pouquinho as pessoas em nossa cidade. Fiquei muito feliz com essa audiência”, disse a aposentada.

Também estiveram presentes a promotora de Justiça de Mimoso Do Sul, Maíra Rangel Brasileiro Pinto; prefeitos e vereadores de municípios da região Sul do Estado, dentre outros.

Comenda

Durante a reunião, Dr. Bruno Resende anunciou a criação de uma comenda na Assembleia para homenagear os heróis de todas as tragédias ambientais que ajudam a salvar vidas. A honraria levará o nome de uma das vítimas da enchente, Rosa Thomé Poldi (Dona Rosita), mãe da promotora de Justiça e secretária-geral do Ministério Público, Inês Thomé Poldi Taddei, que integrava a Mesa da audiência e foi homenageada por seus membros.

Homenagem

Após a audiência, foi realizada, na praça principal de Mimoso, uma celebração ecumênica de homenagem às vítimas e heróis anônimos da tragédia. Placas e certificados foram entregues pela Prefeitura e pela Ales aos parentes de vítimas e a pessoas que contribuíram na reconstrução da cidade. Também foi inaugurada, na Praça Coronel Paiva Gonçalves, um memorial em homenagem às vítimas com os nomes das 19 vítimas fatais e um histórico do ocorrido na noite de 22 de março de 2024.

Histórico

No dia 23 de março do ano passado, o governador Renato Casagrande (PSB) decretou Situação de Emergência em Mimoso do Sul, cidade mais afetada, e outros 11 municípios da Região Sul: Alegre, Alfredo Chaves, Apiacá, Atílio Vivacqua, Bom Jesus do Norte, Guaçuí, Jerônimo Monteiro, Muniz Freire, Muqui, Rio Novo do Sul, São José do Calçado e Vargem Alta.

Fonte: POLÍTICA ES

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