Em audiência pública realizada nesta sexta-feira (29), o secretário de Estado da Saúde, Gleikson Barbosa dos Santos, apresentou os avanços e desafios da pasta durante o terceiro quadrimestre de 2025. Kim, como é conhecido, também respondeu a questionamentos acerca das ações realizadas. Participaram representantes de órgãos de fiscalização e de entidades civis. O espaço para apresentação foi aberto pelo presidente do colegiado, deputado Dr. Bruno Resende (União).
Recém-empossado como titular da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Kim Barbosa fez um apanhado da atuação da pasta em diferentes áreas. Na parte de finanças, mostrou que a série histórica com despesas pagas mostra uma ascensão nos gastos, com 2025 terminando acima dos R$ 5 bilhões (o maior valor desde 2019) e 16,46% de receita própria aplicada na área. “Nosso teto mínimo é de 12%”, frisou.
Óbitos
Em 2025, as principais causas de óbito se mantiveram praticamente inalteradas, da maior para a menor: doenças cardiovasculares (23,8%), neoplasias (16,4%) e causas externas (12,1%). A novidade é que as doenças do aparelho circulatório passaram a ocupar o quarto lugar (9,1%), ultrapassando as enfermidades metabólicas.
Os óbitos maternos tiveram uma pequena redução de 2024 para 2025: eram 27 e fecharam em 23, mas ainda acima da mínima da série histórica (a partir de 2018) atingida em 2023, com 18. As mortes infantis se mantiveram praticamente inalteradas – 594 no passado e 598 em 2024.
Judicialização
O número de processos judiciais recebidos ano passado foi levemente inferior a 2024 (14.997 x 15.993). As despesas com a judicialização também caíram 7,2%, passando de R$ 157.300.188,28 para R$ 146.042.642,73. Em termos proporcionais, o serviço de home care foi o que mais recebeu acionamentos na Justiça (46%), subindo de R$ 4.606.444,61 para R$ 6.726.501,52.
“O que nos preocupa é que nós tivemos uma ampliação gigantesca na judicialização do home care, (…) não é um serviço barato. Tem paciente que custa R$ 500 mil no mês, dois pacientes custam R$ 1 milhão. Então nos preocupam essas decisões que vêm pelo Judiciário comprometendo um recurso que tem de ser aplicado de forma coletiva”, revelou.
Também proporcionalmente, os processos que envolvem o pedido de materiais hospitalares para pacientes domiciliares sofreu a maior queda, de R$ 2.484.692,28 para R$ 1.384.008,92 (-44,3%). Mas em volume financeiro, embora tenha diminuído 9,4%, o fornecimento de medicamentos por vias judiciais ainda se mantém no topo, totalizando R$ 93.079.216,44 em 2025.
Vigilância em Saúde
Na área de Vigilância em Saúde, houve leve diminuição nos casos de sífilis congênita. Foram 14,9 registros entre mil nascidos vivos em 2024 e 13,4 em 2025. “Precisamos esse ano fomentar mais campanhas com relação a isso (sífilis)”, destacou o secretário ao cobrar mais protagonismo dos municípios no processo.
Sobre a Covid-19, o total de confirmações desde 2020 chegou a 1.398.633 registros (7.208 em 2025 e 1.645 em 2026) e 15.290 óbitos (45 em 2025 e 9 em 2026). Os números deste ano vão até dia 5 de maio. “Enfrentamos a pandemia, mas continuamos tendo poucos casos. Tivemos uma redução importante em relação à doença”, contou. “Lamentavelmente ainda temos óbitos pela Covid-19”.
Entre as arboviroses (doenças virais transmitidas principalmente por mosquitos e carrapatos), a dengue está consideravelmente menor do que em 2024, quando houve 255.957 notificações e 43 mortes. Em 2025 foram 35.088 registros e 2 óbitos. Entretanto, conforme anunciou o secretário, há vários municípios capixabas atualmente em sinais de alerta.
Os casos de chikungunya e zika acompanharam a tendência de queda da dengue. A febre do Oropouche, no entanto, fez o caminho oposto: saiu de 4.909 casos e 1 morte em 2024 para 12.463 e 2 óbitos em 2025.
Cobertura vacinal
Na cobertura vacinal para menores de 2 anos, os índices não se diferenciam tanto quando comparados os terceiros quadrimestres de 2024 e 2025 (a vacina contra catapora foi a que mais teve aumento e a penumo10 a maior queda). Mas os índices não agradam o chefe da Sesa, que chegou a citar a vacina contra poliomielite como exemplo, ressaltando que antigamente a cobertura chegava perto dos 100%.
“Hoje, lamentavelmente, carregamos uma sequela dessa herança das fake news da pandemia”, considerou. “Temos feito um trabalho intensificado através da Subsecretaria de Vigilância em Saúde junto aos municípios para ampliar a cobertura vacinal”, completou.
A cobertura vacinal do influenza passou dos 96% em 2025 entre as gestantes e está em 42,6% nesse mesmo grupo nos primeiros 5 meses deste ano. “A gente precisa melhorar”, defendeu Kim Barbosa ao citar os demais grupos. O titular da Sesa comentou também o fato de o SUS passar a disponibilizar para grávidas a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) a partir da 28ª semana.
Projetos prioritários
Os projetos prioritários apresentados contemplam o Complexo de Saúde Norte (em São Mateus), que já consumiu R$ 244 milhões em obras e tem previsão de entrega em outubro de 2026. Já o Hospital Geral de Cariacica deve ser inaugurado em dezembro do ano que vem – a unidade já executou R$ 126 milhões em recursos financeiros.
Kim Barbosa também revelou que a publicação do edital da obra de construção do Complexo Hospitalar Centro-Oeste, em Colatina, está marcada para março de 2026. A unidade terá 395 leitos e valor estimado em R$ 650 milhões.
Sobre o Samu 192, salientou o fato de o serviço ter uma base por município, contribuindo para “o melhor tempo resposta do Brasil, chegando a 13 minutos”. Nesse sentido, revelou que uma nova base do aeromédico está prevista para Linhares.
Kim também destacou o aplicativo 192 Fácil, ferramenta gratuita lançada em março deste ano que permite acionar o Samu com o uso do GPS e enviar chamadas de emergência via internet. Além disso, detalhou que, entre setembro e dezembro do ano passado quase 370 ambulâncias foram enviadas por dia para atender os capixabas.
Uma parte da apresentação ficou reservada para as principais entregas da pasta, incluindo o serviço de teleconsulta nos 78 municípios capixabas; o serviço de confirmações e cancelamentos de consultas via celular; o início das obras do Micropolo de Saúde Serrano; a nova unidade móvel do Hemoes; além de investimentos em equipamentos e ampliação de serviços hospitalares.
O secretário falou ainda sobre os números que abrangem a gestão de pessoas, participação e controle social, ouvidoria e auditorias realizadas. Também detalhou os estabelecimentos que compõem a rede estadual de saúde (própria, complementar e credenciada), cobertura da assistência farmacêutica, programas de qualificação profissional, e investimento em atenção primária, sobretudo nas unidades de saúde.
Fonte: POLÍTICA ES





































