Um sujeito “sem lastro social” que se tornou governador da Capitania do Espírito Santo. Esse foi Francisco Alberto Rubim (Lisboa, 1768-1842), cuja trajetória foi tema de palestra realizada na noite de quarta-feira (15), na Assembleia Legislativa (Ales).
Quem apresentou o assunto foi a doutora em História Thiara Bernardo Dutra, que se aprofundou na biografia de Francisco Alberto Rubim em sua tese de doutorado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). De acordo com a pesquisadora, Rubim foi responsável por “delinear”, ainda no período colonial, “a cara que o Espírito Santo tem hoje”.
Avanços na infra-estrutura
O governante fundou vilas e abriu estradas. Foi ele quem construiu a via que, hoje, é parte da BR-262. “Ele foi o responsável por um desejo antigo dos governantes daqui, inclusive durante o período colonial, de abrir a comunicação terrestre entre o Espírito Santo e Minas Gerais”, revelou.
Além dos avanços na infraestrutura, Rubim também contribuiu para o registro histórico do período. “Para além da importância como um governador,
Francisco Alberto Rubim deixou as memórias que foram, durante muitos anos, o documento fundador da nossa historiografia. Tudo que a gente sabia sobre o passado do Espírito Santo era a partir das memórias deixadas por esse indivíduo”, informou a pesquisadora.
Trajetória
Thiara Dutra se debruçou em documentos e outros materiais disponíveis para traçar a biografia do governante. Ao longo da palestra, ela detalhou a sua genealogia e apresentou a trajetória de sua família de origem humilde, que migrou da Itália para Portugal, onde conseguiu ascender social e politicamente.
Rubim integrou a Marinha portuguesa e acabou vindo para o Brasil Colônia, onde governou as capitanias do Espírito Santo (1812-1819) e do Ceará (1820-1821). Em 1821, ele retornou a Portugal.
Mito
Além das lacunas históricas ao longo da pesquisa, outro desafio enfrentado pela historiadora foi confrontar os registros oficiais com a figura mitológica e heroica arquitetada pelo filho dele, Braz da Costa Rubim.
De acordo com Thiara Dutra, Braz Rubim construiu a imagem do pai como um “mito fundador” e escondeu a origem simples de sua família e a migração da Itália para Portugal. O filho também omitiu outros aspectos, como a demissão de Francisco Alberto Rubim da Marinha portuguesa.
Autoritarismo
Ao final da palestra, os participantes puderam apresentar suas contribuições e alguns classificaram a personalidade histórica como um homem “déspota”, “retrógrado” e “controverso” que, apesar de ter contribuído para o desenvolvimento do estado, era cruel e violento e teria participado da dizimação dos povos originários do Espírito Santo.
A historiadora respondeu que Francisco Alberto Rubim “foi um homem de seu tempo, atravessado pelas contradições do Antigo Regime (monarquia absolutista)”. Ela também disse que ele era fiel à Coroa portuguesa e uma figura “bastante autoritária”.
Próximas palestras
O tema foi trazido à Assembleia Legislativa pelo Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo (IHGES), em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e com o Comitê Técnico dos 190 Anos da Ales.
Outras duas palestras do projeto “IHGES Extra-muros” estão programadas. No dia 5 de novembro, as historiadoras Laryssa Machado e Rafaela Lago apresentam o tema: “Controle e resistência – Projetos e leis sobre a escravidão na Assembleia Legislativa da Província do Espírito Santo (1835–1863)”.
Em 3 de dezembro, o geógrafo Marcos Cândido Mendonça fala sobre “O vale do Itabapoana – Formação regional e trajetórias familiares da história do sul capixaba (1820-1960)”.
As duas palestras acontecem no Plenário Rui Barbosa da Ales, a partir das 18 horas, e são abertas ao público em geral.
Fonte: POLÍTICA ES







































