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Frente debate inclusão de pessoas com transtornos neurobiológicos

Trabalhos foram coordenados pelo presidente da frente parlamentar da Ales, deputado Allan Ferreira / Foto: João Caetano Vargas

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A importância de compreender que os transtornos do neurodesenvolvimento representam prejuízos específicos em funções cognitivas — e não limitações totais — foi um dos pontos centrais debatidos durante reunião da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Pessoas com Transtornos Neurobiológicos, realizada neste sábado (21), na Câmara Municipal de Irupi. O encontro foi presidido pelo deputado Allan Ferreira (Podemos) e reuniu profissionais da área, representantes do poder público e a população local.

A reunião da frente parlamentar reforçou a necessidade de integração entre os diferentes níveis de governo e áreas do conhecimento, com o objetivo de ampliar o acesso a serviços, promover a inclusão e garantir mais qualidade de vida às pessoas com transtornos neurobiológicos e suas famílias.

A psicopedagoga e neuropsicopedagoga Beatriz Turini, do Instituto Alfabetizar, apresentou conceitos sobre os transtornos do neurodesenvolvimento e destacou a importância do diagnóstico precoce e da compreensão das especificidades de cada indivíduo.

Segundo ela, esses transtornos se manifestam ainda na infância, durante o desenvolvimento da criança. “Quando a gente pensa em transtorno, a palavra que precisa vir à nossa mente é prejuízo. É um prejuízo em alguma função cognitiva, como atenção, aprendizagem ou comunicação”, explicou.

Beatriz ressaltou ainda que os transtornos não afetam todas as capacidades de uma pessoa, mas áreas específicas, o que exige uma abordagem individualizada. “Não significa que a pessoa tenha prejuízo em tudo. Compete a nós, principalmente das áreas da educação e da saúde, entender esses transtornos para saber como lidar e garantir o desenvolvimento dessas pessoas”, afirmou.

A especialista também abordou o conceito de neurodiversidade, destacando que as diferenças no funcionamento do cérebro fazem parte da condição humana. “Justiça não é fazer igual para todo mundo, mas oferecer o que cada um precisa. É isso que garante a inclusão de fato”, pontuou.

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Desafios e potencialidades

A reunião também foi marcada pelo relato do assessor parlamentar Gabriel Cypriano, que compartilhou sua vivência com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).

Ele destacou que a inclusão precisa começar dentro de casa. “O primeiro local onde a inclusão deve ser praticada é na família. São os pais os responsáveis pelo desenvolvimento da criança e por ajudá-la a se tornar quem ela é”, afirmou.

Gabriel relatou dificuldades enfrentadas ao longo da vida escolar, especialmente antes do diagnóstico. “Muitos não compreendiam a minha condição, e nem eu sabia o que tinha. Isso tornava a convivência na escola muito complicada”, disse.

Sobre o TDAH, ele contou que enfrentava problemas com organização e cumprimento de prazos. Já em relação ao autismo, destacou desafios na socialização. “Eu interagia de forma diferente e muitas vezes era visto como esquisito ou preguiçoso. Depois do diagnóstico, fui aprendendo a lidar com a minha condição e desenvolvendo estratégias para superar essas dificuldades”, explicou.

Atualmente, o assessor destacou sua evolução pessoal e profissional. “Hoje eu trabalho, tenho independência financeira, me formei em administração e sigo me qualificando. Nós queremos trabalhar, queremos mostrar nossa capacidade e contribuir com a sociedade”, afirmou.

Ele também chamou a atenção para a dificuldade de inserção no mercado de trabalho. “Muitas vagas exigem experiência, mas não dão oportunidade para que a gente adquira essa experiência. Isso ainda é um grande desafio para pessoas neurodivergentes”, pontuou.

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Ao final, Gabriel trouxe uma reflexão sobre o potencial das pessoas com transtornos. “Eu vejo o autismo não só pelos desafios, mas também como uma forma diferente de pensar. Muitas vezes temos uma visão mais detalhista e diferenciada, que pode contribuir muito com a sociedade”, concluiu.

Políticas públicas de inclusão

O deputado Allan Ferreira reforçou o compromisso da frente parlamentar com a construção de políticas públicas voltadas ao tema. “Nosso propósito é promover uma sociedade mais justa, inclusiva e acolhedora para todas as pessoas, especialmente aquelas que convivem com condições neurobiológicas, como o Transtorno do Espectro Autista, o TDAH e a dislexia”, afirmou.

Ele destacou ainda que a atuação do colegiado busca garantir direitos e dar visibilidade às demandas dessas pessoas. “A inclusão não é um favor, é um direito. E o nosso compromisso é continuar trabalhando para que cada capixaba tenha a oportunidade de viver com dignidade, respeito e amor”, disse.

Representando o Legislativo municipal, o vereador Oséias Pires (Podemos) chamou a atenção para os desafios enfrentados pelas famílias, especialmente no interior. “Trata-se de uma questão de saúde pública. Nós acompanhamos de perto a realidade do município e sabemos das dificuldades que muitas mães enfrentam para conseguir atendimento e tratamento adequados”, relatou.

O parlamentar municipal destacou a importância do debate para avançar na busca por soluções. “Esse é um tema que precisa ser discutido em todas as esferas, municipal, estadual e federal. A partir de iniciativas como essa, portas se abrem para que possamos buscar caminhos e soluções para essa situação”, completou.

Fonte: POLÍTICA ES

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