A morte de uma pitbull em Cariacica na última semana foi tema de reunião extraordinária da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Maus-Tratos contra os Animais da Assembleia Legislativa (Ales) nesta quarta-feira (17). O autor dos disparos alegou que não tinha a intenção de matar a cachorra e que atirou para defender seu cão de um ataque.
Na abertura dos trabalhos, Janete destacou que a CPI foi responsável por identificar o autor dos tiros e por conseguir a perícia do animal junto à Polícia Científica sendo, inclusive, constatado que a cadela estava grávida de oito filhotes. A deputada fez o alerta que matar animais é crime com consequências para quem pratica esse ato. “As pessoas ainda acham que podem fazer o que quiser com animal que vão ficar impunes, mas tem legislação, não pode”, enfatizou.
Um dos ouvidos foi o médico-veterinário Marcos Paulo de Almeida Campos, que atendeu o animal atacado, um cão sem raça definida (SRD) de nome Bambam. Ele contou que o animal foi atendido na noite do sábado (6) e, apesar de bastante debilitado, não apresentava lesões pelo corpo. Segundo falou, o quadro piorou ao longo da madrugada e optou-se por fazer a eutanásia do cachorro.
“Ele tinha muita dor, mas como foi à noite, na clínica não tinha exames de imagem. Internei, foi medicado, quando retornei para avaliá-lo cerca de uma hora depois estava com dificuldade respiratória. O ar estava vazando para a região externa do tórax, mas ele não tinha lesões externas. Sugeri transferir para um hospital veterinário 24 horas, mas os tutores alegaram que não possuíam condições financeiras. Então, houve a autorização para fazer a eutanásia do animal”, salientou.
Jane Francisco da Penha, tutor do animal agredido, relatou que estava chegando do trabalho e viu seu cão sendo atacado por dois outros cachorros na porta de casa. Por não conseguir separar os animais, teria pego uma arma calibre 22 para assustar os cães. “Fiz no desespero pra assustar, mas acabou acertando um. Estou arrependido, não consigo dormir nem me alimentar direito desde esse dia”, disse.
O tutor ainda mencionou ter encontrado a arma perto de um rio quando ia pescar e, após o ocorrido, teria jogado a arma fora. Também afirmou desconhecer os animais que atacaram Bambam e seus responsáveis. “Não sei o que aconteceu que meu cachorro estava solto. Eu fiz massagem nele para reanimá-lo e levei para o chuveiro para dar um banho. (…) Levei o cachorro na clínica. Fizemos de tudo para salvar ele, era como um terceiro filho para mim”, ressaltou.
Ao final dos trabalhos, a deputada Janete informou que vai enviar o material colhido para a Polícia Civil (PCES) e para o Ministério Público estadual (MPES). “Vamos levantar se mais pessoas viram o fato. O senhor confessou que alvejou o animal, mas o senhor deu sumiço na arma. Esconder a arma não é bom para você, seria melhor achá-la. Esse caso incorre em alguns crimes do Estatuto do Desarmamento e na Lei de Crimes Ambientais, então vamos pedir o indiciamento pelo crime de maus-tratos e a proibição de guarda de outro animal. Vamos cobrar a polícia para abrir inquérito”, frisou.
Por fim, a parlamentar pediu que os tutores não deixem seus animais soltos, nem na porta de casa, para evitar situações como a ocorrida. “O tutor tem que ter cuidado para o animal ficar em casa, não ir para a rua. A gente não pode medir nossa irresponsabilidade pela dos outros e aí um conflito pode acontecer”, concluiu.
Além dos citados, participaram da reunião os integrantes da Gerência de Bem-Estar Animal de Cariacica, Jonathan da Silva (coordenador) e Renata Bessa (gerente); a promotora de Justiça Edwiges Dias; o presidente da subcomissão de Direito e Proteção Animal da OAB-ES, Luiz Carlos Toledo de Oliveira; o representante do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) José Andrei Almeida Telles; além de pessoas ligadas à causa animal no estado.
Histórico
A pitbull foi alvejada com dois tiros de arma de fogo (calibre 22) na noite de 6 de setembro no bairro Mangueiras, Cariacica. A cadela foi resgatada na manhã do dia 7 pela Gerência de Bem-Estar Animal do município e encaminhada para o Rancho Bela Vista, mas acabou morrendo no dia seguinte. O autor dos tiros alegou ter disparado contra a pitbull e outro animal, que estariam atacando seu cachorro, como forma de defendê-lo. O animal, no entanto, também acabou falecendo.
Fonte: POLÍTICA ES








































