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Condutores de ambulância apresentam demandas à Ales

Dez mil profissionais conduzem ambulância no ES e média salarial é de um salário mínimo / Foto: Lucas S. Costa

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Reconhecimento como profissional de saúde, melhorias salariais e combate ao preconceito contra as mulheres são algumas das demandas apresentadas pelos condutores de ambulância no Espírito Santo. O tema foi debatido na reunião da Comissão de Saúde desta segunda-feira (13), presidida pelo deputado Dr. Bruno Resende (União).

O reconhecimento do condutor de ambulância como um profissional de saúde está no Projeto de Lei (PL) 2.336/2023, que foi aprovado na Câmara Federal e agora aguarda sanção presidencial. A matéria também estabelece requisitos para o exercício da profissão, como idade mínima, nível de escolaridade e tipo de habilitação para condução de veículos.

“Na pandemia da Covid-19, por exemplo, os condutores de ambulância ficaram fora da prioridade das vacinas, porque não éramos considerados profissionais da saúde”, contou Jobson Santana, presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância do Espírito Santo.

Fotos da reunião da Comissão de Saúde

O Espírito Santo possui cerca de 10 mil profissionais condutores de ambulância. Atualmente, 30% das ambulâncias estão no serviço prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O trabalho do condutor de ambulância vai além desse serviço de emergência, pois o profissional também atua em transferência hospitalares e nos chamados “serviços sanitários”, que são agendados para pacientes em tratamento de saúde, como hemodiálise e quimioterapia.

Para o deputado Dr. Bruno Resende (União), o reconhecimento como profissional da saúde é uma demanda inquestionável. “Não tem como enxergar o motorista de ambulância fora do sistema de saúde. Ele faz parte do sistema desempenhando um papel fundamental para a área”, disse o parlamentar.

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O diretor do Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren), Douglas Lírio, destacou os desafios da profissão. “O condutor de ambulância é o primeiro elo do atendimento de saúde na emergência, pois ele garante que a equipe chegue até o local do paciente e, depois, no hospital para o atendimento definitivo. Nós temos um trânsito caótico e estradas perigosas. O desafio é enorme”, disse Lírio.

Sobre a questão salarial, os participantes buscam a valorização da profissão. “Nós vivemos uma realidade de defasagem de salários pagos aos condutores de ambulância no Espírito Santo, com uma média de um salário mínimo. Essa não é uma situação exclusiva do Estado. Atualmente, o Samu paga um pouco melhor, mas, ainda assim, nós precisamos destacar o risco da profissão e a responsabilidade. É preciso colocar isso na conta e valorizar esse profissional”, disse Jobson Santana.

Mulheres na profissão

Apesar de não haver nenhum impedimento legal de contratação de condutoras mulheres, os representantes da categoria falaram sobre o preconceito relacionado ao gênero. Enfermeira e condutora de ambulância, Cleide Florinda Dias defendeu as mulheres na categoria. “Nós não temos tanta dificuldade de ingressar no mercado de trabalho na rede privada. Mas existe um preconceito com a mulher condutora de ambulância na rede pública. Nós exercemos a profissão com muito respeito e muita responsabilidade”, pontuou.

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Jobson Santana relatou que existe resistência na contratação de mulheres. “A mulher tem uma sensibilidade e uma atenção muito grande. Temos o caso de uma empresa que tinha muita resistência na contratação de mulheres. Fizemos um trabalho de conscientização e conseguimos que a empresa contratasse duas mulheres. Essas profissionais finalizaram o primeiro ano de trabalho sem nenhum acidente e nenhuma multa, com uma responsabilidade exemplar. Mas eu preciso dizer que ainda não vi uma mulher conduzindo uma ambulância no Samu”, relatou.

Dr. Bruno Resende (União) disse que nunca tinha recebido essa informação sobre as mulheres na condução de ambulâncias. “Vamos questionar o Samu sobre esse ponto: quais são os critérios de seleção e quantas mulheres foram contratadas nos últimos cinco anos. É um preconceito que nós precisamos combater”, disse.

O presidente do Coren, Douglas Lírio, também falou sobre o assunto. “Sobre as mulheres, o preconceito pode ser visto lá na escala de uma empresa ou do Samy: onde estão as condutoras de ambulância? Existe, sim, uma orientação velada de que não se contrate mulheres para essa função. E o serviço perde muito com isso”, lamentou.

Fonte: POLÍTICA ES

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