Um encontro de pessoas de diferentes profissões em busca de renda extra ou simplesmente de uma atividade que lhes dê sentido à vida depois da aposentadoria. Assim pode ser definida a feira de artesanato Galpão D´Artes, que reúne oito expositores no espaço Assembleia Cidadã, no térreo do Palácio Domingos Martins, na Enseada do Suá. A feira segue até sexta-feira, 3 de julho, das 9 às 17 horas.
Veja aqui mais imagens da feira
É a primeira vez que os integrantes do projeto expõem e comercializam sua arte no espaço da Assembleia. O Galpão D´Artes é um projeto econômico e social, de geração de renda e também de atenção humana, criado pelo líder comunitário e servidor público Peterson Pimentel, que fundou o Instituto Pimentel a partir de uma visita ao Mercado de Belo Horizonte.
“Voltei com a ideia fixa de criar um espaço semelhante aqui no Espírito Santo e conseguimos o apoio do Ifes, que cedeu o galpão da Cidade da Inovação, no antigo IBC de Jardim da Penha, para que nossos associados pudessem expor e comercializar suas produções aos sábados, aproveitando a movimentação provocada pela feira de produtores da agricultura familiar”, disse.
Pimentel salientou que a iniciativa fortalece o trabalho desenvolvido pelos expositores, “promovendo geração de emprego, renda, novas oportunidades e, consequentemente, mais qualidade de vida para dezenas de famílias capixabas”.
O Galpão D´Artes tem atualmente um pouco mais de 70 associados nos segmentos de gastronomia (biscoitos caseiros amanteigados, bolos, doces de pote, queijos, mel, pimenta e ovos caipira), artesanato e costura criativa, massoterapia, aquarela, pinturas, velas aromáticas e sabonetes 100% naturais da Amazônia, cristais, semijoias de pedras naturais e sandálias personalizadas (inclusive com linha exclusiva da seleção brasileira).
Empreendedorismo e arte
O trabalho de artesanato permite novas oportunidades, independentemente da trajetória de vida da pessoa. Beatriz Maria Mathias, 68 anos, é dentista por formação e encontrou no artesanato uma espécie de terapia ocupacional remunerada. Desde 2014 ela já desenvolvia atividades de pintura, mas sempre gostou de tarefas manuais.
“O trabalho do dentista já é mesmo meio artesanal, mas aqui tem uma grande vantagem, que é a não cobrança. Busco uma renda extra, mas também uma forma de manter a mente ativa”, disse Beatriz, que expõe costura criativa na mostra da Assembleia. Seu trabalho pode ser visitado no perfil do instagram @beatrizmant.artes.
Profissional da área de Tecnologia da Informação, Ana Moulin Raposo, 57, encontrou o artesanato há seis anos, no início da pandemia, pensando em suas próprias necessidades. “Eu tinha muitas alergias e comecei a pesquisar produtos naturais. Foi então que encontrei o caminho dos sabonetes 100% naturais, com destinações específicas. Fiz um curso técnico em Química e me dediquei na elaboração de produtos exclusivos”, disse Ana Moulin (@saboe.natural).
Cris Maria, 36 anos, é estilista de noivas, formada pela Universidade Vila Velha, mas se encontrou na “farmácia esotérica”, com um catálogo voltado para a espiritualidade. “Eu já trabalhava com baralho cigano, quiromancia (leitura de mãos) e banhos de ervas quando encontrei as pedras”, contou Cris, que atua ao lado do marido, Abner Fernandes Ferraria, 32 anos. “Cada tipo de pedra tem uma ação. As mais procuradas são as da prosperidade e as de poder pessoal”, acrescentou. Mais informações sobre o trabalho estão no perfil @ciganamariaquiteria.
Alexsandra Almeida, 55 anos, formada em Administração de Empresas, é natural do Pará e chegou ao Espírito Santo por causa de seu trabalho em uma empresa de mineração. Ela deixou uma longa carreira na mineradora – tanto como funcionária quanto como terceirizada – para dedicar-se ao artesanato, após superar uma doença grave. Na exposição da Assembleia expõe sandálias personalizadas para eventos sociais, como casamentos e formaturas (@alealmeidahavaianas).
Felipe Cesar Quintanilha, 25 anos, é estudante de Direito na Ufes e encontrou no artesanato uma fonte de renda extra. Há um ano ele se associou ao Galpão D´Artes ao lado de uma colega de faculdade para produzir velas artesanais e aromáticas e escalda-pés (uma espécie de chá de ervas para os pés). Gostaram tanto da experiência que, quando se formarem, querem conciliar as atividades da Advocacia com o empreendedorismo no @seven.ateliier.
Arquiteta por formação, Lorena Castiglione, 38 anos, trabalha também com o artesanato há oito anos, conciliando as duas atividades. Ela trouxe para a exposição suas pinturas em óleo e aquarela (@locastiglioniart).
Outra história que revela o sentido do artesanato na vida das pessoas é a de Alzira Souza, 60 anos. Ela passou 28 anos na Polícia Federal e, ao se aposentar, encontrou no artesanato um caminho para desestressar de sua atividade anterior. Mas o prazer de fazer velas e sabonetes virou renda extra e há três anos ela tem também um estande no Shopping Praia da Costa.
Como o Galpão D´Artes é um espaço multisegmentado, quem também está mostrando sua arte na Assembleia é a fisioterapeuta Thais Camara, 36 anos, que já era empreendedora no ramo de autoescolas e há um ano integrou-se ao projeto. “Gera renda, mas é também uma forma de servir às pessoas na área de saúde e bem-estar”, disse Thaís, que se especializou em fisioterapia dermatofuncional e atua como massoterapeuta (@camara.estetica).
Fonte: POLÍTICA ES






































