As ações que são desenvolvidas para vencer o racismo e a desigualdade que afetam o povo negro foram lembradas pela presidente da Comissão de Cultura e Comunicação Social da Assembleia Legislativa (Ales), deputada Iriny Lopes (PT), na sessão solene realizada na quinta-feira (21) em celebração aos 175 anos da Insurreição de Queimado.
“A luta contra o racismo é uma luta de muito tempo e se dá no espaço do trabalho, na luta cotidiana, no espaço religioso e em outros espaços. Nós somos herdeiros de uma abolição que não aboliu nada. As pessoas saíram da condição de escravo para a condição de abandonado pelo Estado, pela sociedade. Por isso, não podemos deixar de registrar a cada ano a Insurreição de Queimado, marcando a luta de Chico Prego, a luta antirracista, contra o preconceito, pela paz, igualdade e da felicidade a que todas as pessoas têm o direito”, pontuou a deputada.
Durante a sessão, 30 pessoas foram homenageadas com a Medalha Chico Prego, destinada a homenagear pessoas e organizações que se destacam na luta contra o racismo e em defesa das causas da população negra. A deputada dedicou a sessão solene a dois militantes falecidos recentemente, o pescador Admilson Gonçalves de Miranda, o Xexéu, e o escritor Teodorico Boa Morte.
A luta pelos espaços
Queimado tem grande relevância para Serra, para o Espírito Santo e para todo o país, por sua luta contra a opressão, ressaltou a gerente de Política e Promoção de Igualdade Racial do Espírito Santo na Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Edineia Conceição de Oliveira.
Ela explicou a atividade que a Gerência da Igualdade Racial desenvolve no estado como parte da luta contra o racismo. “O trabalho realizado pela Gerência de Igualdade Racial é estar nos territórios dos povos tradicionais, dialogando e ouvindo as comunidades tradicionais. Temos que fazer dos lugares que ocupamos um lugar estratégico e pedagógico de enfrentamento ao racismo em todas as suas manifestações”, enfatizou.
“Nós estamos ainda discutindo, pelejando como fazer a verdadeira abolição. Há um conjunto de propostas que o movimento negro, e todos que lutam conjuntamente sabem da importância. A cada início de ano letivo, temos que dizer que cotas são necessárias nas universidades, escolas, concursos públicos. Só vamos ter igualdade nesse país quando os povos negros, indígenas forem reconhecidos na sua integralidade. Para isso, precisamos de políticas públicas efetivas”, defendeu a coordenadora do escritório do Ministério da Cultura no Espírito Santo, Célia Tavares.
A coordenadora-geral do Fórum Chico Prego, Penha Gaspar, lembrou que a memória da Revolta de Queimado é comemorada no dia 21 de março, data instituída em 1966 pela ONU para lembrar o massacre contra os negros sul-africanos que lutavam contra o Apartheid na África do Sul, em 1960. Também é o Dia Nacional das Tradições de Matriz Africanas e Nações do Candomblé, instituído por lei em 2023. Ela destacou as atividades para preservar a memória da Insurreição de Queimado e seus líderes Chico Prego, Elisiário, João da Viúva e muitas mulheres.
“Estamos rememorando algo que se tornou costume apagar da história. A presença negra foi apagada na história. Estamos reunidos num espaço que por vezes reprimiu a população negra, por isso é um momento importante”, destacou o representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Espírito Santo, Felipe Oliveira da Silva.
Felipe relatou o processo de tombamento do sítio histórico de São José de Queimado, local onde aconteceu a revolta dos escravos, que está sendo promovido pelo Iphan e o significado que esse tombamento representa para a presença negra no estado e no país. A abertura do processo vem de 2015.
Mesa de trabalho
Além das pessoas citadas anteriormente, compuseram a mesa com a deputada Iriny Lopes o padre Márcio, da Paróquia São Sebastião de Afonso Cláudio, a representante dos povos de matriz africana Mãe Néia e a vereadora de Vila Velha Patrícia Crizanto (PSB).
Insurreição de Queimado
Em 19 de março de 1849, na Freguesia do Queimado, atual município da Serra, aconteceu a primeira revolta dos escravos na província. A rebelião foi prontamente reprimida e seus líderes executados. A revolta foi liderada por Chico Prego, João da Viúva e Elisiário. Centenas de pessoas participaram da rebelião, que acabou sendo reprimida pelas autoridades. Cinco líderes foram condenados à morte, incluindo Chico Prego, que foi capturado e enforcado em 11 de janeiro de 1850. No entanto, Elisiário conseguiu escapar da prisão e se refugiou nas matas do morro do Mestre Álvaro e nunca mais foi preso.
Homenageados
Teodorico Boa Morte, in memoriam
Admilson Gonçalo de Miranda, o Xexéu, in memoriam
Mãe Rita de Cássia, in memoriam
Grupo de Cariacica da Celebração de Queimado
Grupo de Vila Velha da Celebração de Queimado
Grupo de Vitória da Celebração de Queimado
Grupo da Serra da Celebração de Queimado
Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro Brasileira no Espirito Santo (Cenarab-ES)
União espírita capixaba (Unescap)
Federação Espirito-Santense de Cultura e Povos Tradicionais de Matriz Africana
Instituto Elimu Elimu Prof. Cleber
Movimento Negro Unificado
Circulo Palmarino
União de Negros pela Igualdade do Estado do Espírito Santo (Unegro)
Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen)
Comissão de Igualdade Racial da OAB da Serra
Unidos da Piedade
Centro Cultural Eliziario Rangel
Mônica Ferreira de Paula
Eliane Medeiros P. dos Santos
Edneia Conceição de Oliveira
Patrícia Crizanto
Noélia Miranda
Jaciara Paiva
Hileia Araujo de Castro
Eliando Rosa dos Reis
Cursinho Popular Risoflora
Filipe Oliveira da Silva
Cursinho Popular Afirmação Feu Rosa
Marcus Paulo Camargo Barros – Prince Lee
Fonte: POLÍTICA ES




































