Em comemoração ao Dia Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate a Endemias, celebrado dia 4 de outubro, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Espírito Santo (Sindisaude), Geiza Pinheiro Quaresma, ocupou a Tribuna Popular da Assembleia Legislativa (Ales) nesta quarta-feira (1º) para pedir apoio aos deputados na defesa da reposição de 38% de perdas salariais da categoria.
A presença da líder sindical, a convite do deputado João Coser (PT), lotou o plenário e as galerias da Ales. Logo em seguida, trabalhadores da saúde, que vieram de todo o Estado, participaram de uma sessão plenária do sindicato em frente ao Palácio Domingos Martins.
Coser foi elogiado por ter tornado efetivos, quando prefeito de Vitória, os agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias na capital do Estado. Geiza cobrou que outros municípios façam o mesmo.
“Somos uma categoria grandiosa, que surgiu há 35 anos no contexto de criação do Serviço Único de Saúde (SUS). Agentes comunitários de saúde e agentes de endemias são a cara do SUS. Nós somos o SUS”, disse Geiza.
De acordo com a líder sindical, no Espírito Santo, na maioria dos municípios os agentes sofrem muito descaso de gestores, “que acham que somente o governo federal tem que aportar recursos, mas é uma categoria que trata na parte frontal da saúde, que faz busca efetiva e prevenção nas famílias”.
De acordo com Geiza, a questão não é apenas de salários melhores. “Salário é importante, mas também o cuidado com a saúde mental desses profissionais. Há muita gente doente e esquecida pelos gestores, sem valorização, sem contar as perseguições que tomaram conta de vários setores do Estado”, observou.
De acordo com Geiza, há sensibilidade do secretário de Estado de Saúde, Tyago Hoffmann, para a pauta de reivindicações da categoria. Segundo ela, desde 2012 esses servidores lutam por reparação de perdas salariais, “que passam de 50%”, e deixou o que chamou de “dossiê” para a Mesa Diretora, com o pedido de 38% de reposição.
Geiza criticou também o que chamou de terceirização da saúde e pediu aos deputados que aproveitem a votação do Orçamento de 2026 para destinar emendas aos municípios com o fim específico de atender aos agentes de saúde e de endemias, bem como que cobrem a reestruturação da carreira de saúde.
O deputado Coronel Weliton (PRD) elogiou os agentes profissionais de saúde, principalmente por sua atuação durante a pandemia. “Quando as pessoas corriam de onde estava o problema, esses profissionais corriam ao encontro do problema, colocando sua própria vida em risco”.
Arteterapia
A professora Glícia Manso também fez uso da Tribuna Popular, a convite do deputado Coronel Weliton, para falar sobre a importância da arteterapia para pessoas que não conseguem passar por processos terapêuticos tradicionais.
Servidora aposentada do município de Vitória, Glícia é também formada em Ciências Sociais, mestre e especialista pioneira no Espírito Santo, onde preside a Associação de Arteterapia do Estado.
Glícia fez um histórico do surgimento da técnica, no pós-guerra na Inglaterra, quando pessoas traumatizadas tinham dificuldades de se comunicar e foram ajudadas por profissionais de linguagens expressivas, como corpo, música e dança, e começaram a se recuperar.
“Estamos mergulhados no adoecimento mental em todos os setores da vida. Eu me emocionei com as falas das professoras sobreviventes do ataque do atirador nas escolas de Aracruz, e durante 26 anos o que procurei sempre é estar presente na saúde escolar, porque é onde a gente está vendo o fomento do maior adoecimento. Mas o arteterapeuta não tem acesso à escola porque acham que vamos ensinar arte. Mas não fazemos arte”, disse ela.
A presidente da Associação explicou, ainda, que a arteterapia trabalha no autodesenvolvimento das pessoas, utilizando-se de linguagens expressivas.
“O objeto faz falar o sujeito, e não o contrário. Não é arte, não é terapia ocupacional, não é animador de cenas. É método específico, muito profundo, apesar de aparentemente simples. Faz prevenção do adoecimento mental através da criatividade para a vida. Arteterapia não se fala dela, se sente”, acrescentou.
Glícia também pediu o apoio da Assembleia Legislativa para o reconhecimento profissional, “que já passou por três instâncias e está no Congresso Nacional para ser votado”. O processo de regulamentação já dura dez anos, desde 2015.
Pejotização no ensino
A tribuna popular desta quarta-feira (1º) foi fechada com a manifestação do presidente do Sindicato dos Educadores Técnico-Administrativos em Estabelecimentos de Ensino Particular do Estado do Espírito Santo (SindEducação-ES), Leonil Dias da Silva.
O dirigente sindical salientou a credibilidade de sua entidade, refletida pelo aumento no número de associados nos últimos cinco anos, de 2.300 para 9.400, “quase a totalidade da categoria”, disse. Falou das conquistas e dos desafios, pedindo apoio da Casa contra a “pejotização da categoria” – contratação de profissionais por meio do regime de pessoa jurídica (PJ), sem vínculo empregatício.
“Precisamos de apoio dos deputados junto à Câmara Federal para derrubar o projeto de pejotização, que destroi direitos e benefícios dos trabalhadores, desde agora até sua aposentadoria, que deixa de existir”, disse Leonil.
Fonte: POLÍTICA ES








































