Apesar da redução dos índices de criminalidade registrada nos últimos anos, a sensação de insegurança ainda preocupa a população capixaba. Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) apontam que o Espírito Santo encerrou 2025 com 796 homicídios dolosos, o menor número da série histórica iniciada em 1996. A relação entre os avanços apontados pelas estatísticas e a percepção da sociedade sobre a violência urbana foi debatida na manhã desta terça-feira (16), durante reunião da Comissão de Segurança.
Ao abrir os trabalhos, o presidente do colegiado, deputado Delegado Danilo Bahiense (PL), ressaltou que a discussão vai além dos indicadores criminais e envolve a confiança da população nas instituições responsáveis pela segurança pública. “Precisamos recuperar a confiança da sociedade capixaba. E confiança não se impõe, confiança se conquista”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a sensação de insegurança afeta diretamente a qualidade de vida da população, o desenvolvimento econômico e a utilização dos espaços públicos. Bahiense também defendeu uma atuação integrada entre forças de segurança, sistema de Justiça, gestores públicos e sociedade civil para enfrentar o avanço do crime organizado.
“A segurança pública não se mede apenas pela quantidade de prisões realizadas ou de operações executadas. Ela se mede, principalmente, pela tranquilidade que a população sente ao sair de casa e retornar para junto de sua família”, destacou.
Membro da comissão, o deputado Coronel Weliton (DC) reconheceu os investimentos realizados pelo Estado em tecnologia e na ampliação dos quadros das forças de segurança, mas avaliou que o déficit de efetivo ainda representa um dos principais desafios do setor.
O parlamentar defendeu maior valorização dos profissionais da área e investimentos em pessoal para garantir uma presença mais efetiva do Estado, especialmente nos municípios do interior. “Segurança pública se faz com investimento em tecnologia, em equipamento, em armamento, em veículo, em comunicação, em inteligência, mas também valorizando os seus servidores”, opinou.
Coronel Weliton também chamou atenção para a necessidade de fortalecer a estrutura física das delegacias e ampliar o acesso da população aos serviços policiais, observando que nem todos os cidadãos conseguem utilizar os sistemas digitais de registro de ocorrências.
Estrutura e efetivo
Coordenador da Comissão de Segurança e ex-delegado da Polícia Civil, André Luiz Cunha avaliou que a sensação de insegurança relatada pela população está diretamente ligada a problemas estruturais enfrentados pelos órgãos de segurança pública. “A sensação de insegurança, em primeiro lugar, ela é real. A sensação de insegurança é verdadeira”, ressaltou.
Entre os fatores apontados por Cunha estão o déficit de efetivo nas polícias Civil, Militar e Penal, a sobrecarga das unidades policiais e a dificuldade de reposição de servidores. Segundo ele, a escassez de profissionais impacta a velocidade das investigações e a capacidade de resposta do Estado.
O coordenador também relatou que visitas técnicas realizadas pela comissão identificaram dificuldades operacionais em delegacias e unidades prisionais, especialmente no interior do estado.
Legislação e reincidência
Representando a Polícia Civil, o delegado Nilton Abdala Sales destacou a importância de ouvir a população e debater medidas capazes de reduzir a sensação de insegurança.
Segundo ele, é preciso discutir aspectos relacionados à legislação penal, à reincidência criminal e à responsabilização de autores de crimes graves. Sales também relatou preocupações apresentadas por comerciantes em relação à criminalidade e questionou a efetividade de políticas de desencarceramento diante da repetição de delitos patrimoniais.
Para o delegado, o enfrentamento da violência exige a participação conjunta das instituições de segurança pública, do sistema de Justiça e da sociedade.
Fonte: POLÍTICA ES






































