Em pronunciamento na sessão ordinária desta segunda-feira (30), o deputado Delegado Danilo Bahiense (PL) fez um alerta sobre possíveis irregularidades envolvendo agentes de segurança pública no Espírito Santo. O parlamentar afirmou que há indícios graves de infiltração do crime organizado em estruturas do Estado e defendeu o fortalecimento dos mecanismos internos de controle e investigação.
Bahiense citou apurações conduzidas pelo Ministério Público do Espírito Santo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e pela Polícia Federal, através da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), que investigam a atuação de policiais suspeitos de colaborar com organizações criminosas. Segundo ele, já há registros de dois investigadores presos e três afastados.
O deputado destacou que os fatos ganharam repercussão nacional após reportagem exibida na imprensa, e argumentou que o caso não pode ser tratado como isolado. “Existe uma sequência de ocorrências graves que apontam para fragilidades estruturais no sistema de controle interno”, afirmou.
De acordo com o parlamentar, as investigações apontam indícios de desvio de drogas apreendidas, recebimento de propina de facções criminosas, participação em esquemas de lavagem de dinheiro e até revenda de entorpecentes que deveriam ter sido retirados de circulação. “Se isso se confirmar, não é apenas corrupção. É o crime utilizando o próprio Estado para se fortalecer”, declarou.
Bahiense também mencionou outras operações e casos recentes que, segundo ele, reforçam a necessidade de apuração rigorosa, como desaparecimento de armas, drogas e valores sob custódia estatal e investigações envolvendo unidades policiais distintas, inclusive no interior.
O deputado questionou ainda o fato de parte das investigações não ter sido iniciada por órgãos internos das próprias instituições. Para ele, isso evidencia um problema estrutural. “Quando os desvios mais graves estão sendo identificados fora da instituição, e não dentro, há algo que precisa ser corrigido com urgência”, disse.
Apesar das críticas, o parlamentar ressaltou que a maioria dos profissionais da segurança pública atua com honestidade e compromisso. “São esses servidores os maiores interessados na limpeza interna, porque quem mancha a instituição é o traidor de dentro”, pontuou.
Como presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, Bahiense afirmou que o colegiado vai acompanhar de perto o andamento das investigações e cobrar medidas concretas. Entre elas, o fortalecimento dos mecanismos de controle interno, mais transparência e a apuração de responsabilidades, “sem acordo, sem proteção e sem blindagem”, pontuou.
Ao final, o deputado defendeu que o Estado adote uma resposta firme e estrutural. “Quando a sociedade perde a confiança nas instituições, quem ganha é o crime organizado. O Estado precisa ser mais forte que o crime — mas, para isso, precisa ser limpo, vigilante e implacável com quem trai sua missão”, concluiu.
Fonte: POLÍTICA ES







































