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Sobrinho da primeira deputada eleita no ES resgata trajetória da tia

João Luiz Castello lembrou envolvimento da família na política e carreira de Judith no Legislativo / Foto: Lucas S. Costa

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O engenheiro civil, advogado e historiador João Luiz Castello, 72 anos, viveu uma emoção diferente nesta terça-feira (23) ao visitar, pela primeira vez, a exposição 190 Caminhos da Cidadania. O motivo: uma das personagens em destaque na história do Legislativo capixaba retratadas na mostra é a tia dele, Judith Leão Castello Ribeiro, primeira mulher a ocupar uma cadeira de deputada na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales).

Apesar de ser pesquisador e ter colaborado como fonte da equipe que levantou a história do Legislativo, João Luiz se surpreendeu com o resgate. “Fui criado por ela, que na família é uma referência de mulher forte e participativa. Para todos nós, continua sendo emocionante ver homenagens como essa. Afinal, não tenho dúvidas de que Judith foi a maior mulher de todos os tempos da história do Espírito Santo”, disse João Luiz.

João Luiz percorreu na visita com mediação da artista e arte-educadora Mara Perpétua. Além de Judith, outras personagens e histórias são contadas na exposição 190 Caminhos da Cidadania, em cartaz na Ales até o final de julho.

“A realização de uma exposição como essa é fundamental para aproximar os estudantes e a população em geral de nossa história. Afinal, tudo o que acontece no Espírito Santo passa pela Assembleia Legislativa. Minha família tem muito orgulho da tia Judith, que estruturava seus princípios no lema da Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – e nos princípios cristãos de amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, o que ela concretizou de várias formas, mas principalmente como fundadora da Afecc (Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer), que levou à construção do Hospital Santa Rita”.

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Política na veia

A família sempre esteve muito envolvida com a política e o próprio João Luiz foi vereador na Serra (1989-1992), chegando a presidir a Câmara nos dois primeiros anos do mandato. Essa veia política, João acredita que Judith herdou do bisavô, Luiz Barbosa Leão, nomeado intendente da Serra (uma espécie de interventor) entre 1895 e 1900.

“Deodoro da Fonseca nomeou Afonso Cláudio o intendente do Espírito Santo e Afonso Cláudio nomeou meu tataravô o intendente da Serra”, contou João. No período que o bisavô, nascido em Penafiel, Portugal, em 1824, era intendente, Judith nasceu (em 23 de março de 1898). “Ela praticamente não o conheceu, porque ele morreu em 1904, mas as histórias e o legado ficaram”, disse o sobrinho da homenageada.

O tio dela, Cassiano Cardoso Castello, também foi eleito deputado em 1910. Como jornalista e professora, Judith liderou o “movimento sufragista” de 1932, que lutava pelo direito das mulheres ao voto. Na carreira no magistério, Judith chegou a dar aula para outra importante figura do cenário político capixaba. “João Calmon foi aluno dela no Colégio São Vicente”, registrou o sobrinho.

“Quando ela foi ao Rio participar do Congresso Católico de Educação, em 1934, foi entrevistada pelo jornal Diário da Noite como destaque pela sua luta pelo voto feminino. Suas idas e vindas ao Rio de Janeiro a levaram a conhecer Talma Rodrigues Ribeiro, com quem se casou em sete meses, união que não resultou em filhos, mas durou até a morte dela, de câncer, em 31 de agosto de 1982, com 84 anos.

Trajetória na política

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Em 1933, Judith foi candidata avulsa a deputada, mas não conseguiu se eleger. “Porém, continuou sua militância e, em 1946, foi eleita por 4,2% do eleitorado capixaba, pelo PSD, como deputada Constituinte”, disse João Luiz.

Judith não queria mais ser candidata depois da eleição de 1958, mas, diante da provocação do irmão Rômulo, “que era quem mais a apoiava”, iniciou a preparação para disputar como governadora em 1962. Porém, foi convencida pelo então governador Carlos Lindenberg a disputar a Assembleia, “para ajudar a legenda”. Jones dos Santos Neves acabou sendo escolhido para a disputa ao Palácio Anchieta pelo PSD, mas perdeu a eleição para Francisco Lacerda de Aguiar. Judith também não conseguiu voltar à Assembleia.

“Como suplente, ela assumiu o mandato algumas vezes, temporariamente. Era uma democrata e, em 1964, apoiou a revolução contra o comunismo de Brizola. A ideia era uma intervenção militar de apenas um ano, mas quando os militares mudaram o jogo, ela se desencantou”, conta João Luiz.

Desde que Judith terminou seu quarto e último mandato, levou 20 anos para que uma mulher voltasse a sentar-se numa cadeira na Assembleia: Rose de Freitas, em 1982. Mas Judith abriu a porta para que 17 mulheres, até hoje, tenham ocupado o posto de deputada estadual. Uma representatividade muito distante do que elas representam no eleitorado. São pouco mais da metade do colégio eleitoral e ocuparam apenas 2% das cadeiras nesses 190 anos.

Serviço – Exposição 190 Caminhos da Cidadania
Local: Assembleia Legislativa (Av. Américo Buaiz, 205 – Enseada do Suá)
Visitação: segunda a sexta-feira, das 8 às 18 horas
Entrada gratuita

Fonte: POLÍTICA ES

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