O Parlamento estadual prestou homenagem durante a sessão desta terça-feira (19) ao médico da Polícia Militar (PM) Jorge Potratz por ter cuidado, durante 24 anos, da paciente sem identificação. Chamada pela equipe médica de Clarinha, ela ficou internada no Hospital da Polícia Militar (HPM) em estado vegetativo durante todo esse período após sofrer um acidente de trânsito.
Sem documentos quando foi socorrida, no ano 2000, ela passou quase duas décadas e meia em estado de coma num leito do HPM sem receber visitas de familiares ou amigos, e acabou falecendo no dia 14 de março vítima de problemas pulmonares.
O caso ganhou notoriedade e foi noticiado em reportagens sobre a situação da paciente veiculadas pela mídia, tendo inclusive repercussão nacional pelo Fantástico, da Rede Globo.
Sensibilidade
O presidente da Casa, deputado Marcelo Santos (Podemos) e outros 17 parlamentares subiram à Mesa no momento em que o Legislativo conferiu certificado ao tenente-coronel da reserva da Polícia Militar (PMES).
“É uma homenagem da Assembleia Legislativa, a Casa que representa o povo do Espírito Santo, por essa sensibilidade e esse trabalho que dificilmente a gente costuma ver nos dias de hoje”, enalteceu Marcelo ao se dirigir ao homenageado.
Os deputados socialistas Tyago Hoffmann e Janete de Sá também destacaram a importância do gesto humanitário do médico PM. Janete afirmou que já conhecia a competência profissional e o espírito solidário de Jorge Potratz desde o período em que havia contraído Covid na pandemia e foi tratada por ele no HPM.
Ela lembrou que chegou ao hospital com 80% do pulmão comprometido pela Covid e o médico tomou a “difícil decisão” de não intubá-la, ainda que a recomendação para o caso fosse esse procedimento.
“Por me conhecer há muitos anos e ter tido o entendimento de que minha mente me ajudaria na recuperação, dr. Jorge não me intubou, e hoje estou viva e sem sequelas da Covid”, agradeceu.
Família hospitalar
Ao falar da tribuna após receber o certificado, o médico PM disse que aceitava com muita honra a homenagem prestada pelo Legislativo capixaba, mas que não gostaria de aplausos. “Não quero que fique apenas numa homenagem, mas que essa atitude venha a fazer diferença na vida de cada cidadão capixaba porque com muito pouco a gente pode às vezes fazer grandes coisas”, refletiu.
Potratz disse que os cuidados à paciente não foram prestados apenas por ele, mas por todos os médicos e enfermeiros do HPM que “adotaram” Clarinha como se fosse uma pessoa da família.
Racismo no futebol
O relato do técnico do time do Rio Branco, Rodrigo César, sobre ter sido vítima de racismo na tarde do último domingo (17), durante jogo contra o Nova Venécia, no estádio Kleber Andrade, repercutiu no Plenário.
Um torcedor da própria equipe do Rio Branco, que estava posicionado nas arquibancadas atrás do banco de reservas, teria ofendido o técnico
chamando-o de “macaco” e “preto burro”.
A presidente da Comissão dos Direitos Humanos, deputada Camila Valadão (Psol), pediu que ficasse registrado em plenário o repúdio dela contra a atitude e a solidariedade a Rodrigo, considerando intolerável esse tipo de ofensa.
Camila lembrou que há, inclusive, norma aprovada pela Ales que combate o racismo no âmbito do Espírito Santo. “Há pouco estava até conversando com o deputado Lucas (Scaramussa), que é um dos autores da lei, e falávamos da importância da sanção pelo governo do Estado”, disse.
O deputado Alexandre Xambinho (Podemos) disse conhecer Rodrigo desde a infância, quando conviveram no bairro Barcelona, na Serra, e também manifestou solidariedade ao técnico.
“Um atleta exemplar, que foi jogador profissional, do time de ouro do Internacional na época do Alexandre Pato. Não podemos deixar que isso fique impune”, cobrou Xambinho, chamando Rodrigo César de “um amigo de coração”.
O presidente da Casa, deputado Marcelo Santos (Podemos), também prestou solidariedade ao técnico e relatou que já sentiu o peso do racismo na própria família já que o pai dele, o falecido ex-deputado federal e ex-prefeito de Cariacica, Aloízio Santos, sofreu racismo em hotel por ser negro.
Marcelo explicou que a medida citada por Camila Valadão aprovada pela Casa se trata de uma compilação de várias iniciativas num trabalho liderado pelo deputado Lucas Scaramussa (Podemos).
Fonte: POLÍTICA ES








































