Deputados estaduais pediram ao Poder Executivo uma melhor atenção ao processo de interiorização de serviços e atendimentos no âmbito da saúde. Durante a sessão desta terça–feira (11), os deputados Coronel Weliton (PRD), Zé Preto (PP) e Delegado Danilo Bahiense (PL) reconheceram avanços e investimentos na pasta estadual, mas também apontaram gargalos em cidades do interior e da própria Grande Vitória.
Coronel Weliton pontuou que apesar de “avançarmos significativamente em várias regiões”, ainda o incomoda muito “ver nos hospitais ônibus vindo do interior do estado com 30 pessoas, a primeira atendida sete horas da manhã e a última às 17 ou 18 horas”. “A primeira esperar o dia todo (…) para a última ser atendida (…) e nós sermos cidadãos que pagamos nossos impostos em dia”, completou.
“O Estado, na hora de arrecadar, vai ao interior e arrecada o imposto. Na hora de ofertar saúde, educação, segurança, ele [cidadão] tem que se deslocar do interior para a capital, isso para consulta, procedimentos e exames. E o pior, as pessoas que já estão debilitadas em razão de sua condição de saúde, vêm para cá e nesses locais não tem estrutura”, criticou. Para o deputado, a Saúde estadual já teria condições de levar centros de referências para mais municípios.
A situação de Guarapari quanto aos serviços hospitalares pautou fala do deputado Zé Preto. Ele parabenizou o governo do Estado, mas afirmou que é preciso “aproveitar” melhor o investimento feito em um hospital naquela cidade – “investimento de mais de R$ 4 milhões por mês”, ressaltou -, que ainda se depara com gargalos na saúde.
“Traz as famílias, leva para Aracruz, para Vitória, para Linhares, mas a pessoa não tem direito de ser transferida para um hospital na própria cidade dela. Vai doente para lá, vem doente para cá (…). Por que o povo de Guarapari não tem direito de sair da UPA e ir para o hospital de Guarapari?”, indagou.
Em aparte, Coronel Weliton concordou com o par e defendeu que tais problemas pedem ajustes sem complexidade. “As comunidades têm sofrido isso, as unidades hospitalares têm condições de atender os seus cidadãos no próprio local, basta um ajuste da Secretaria de Saúde junto a esses hospitais para que exames, consultas e procedimentos possam ser realizados”.
Já para o Delegado Danilo Bahiense a situação de Guarapari é lamentável em relação à saúde. “Hoje em Guarapari, se uma pessoa sofre um acidente pequeno, precisa de um engessamento, tem que ser levado para Anchieta, Vila Velha ou Vitória”, lembrou.
Mulheres na ciência
No dia 11 de fevereiro a Organização das Nações Unidas comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A deputada Janete de Sá (PSB) fez um discurso lembrando que a data foi instituída para “lembrar que na ciência e na tecnologia é lugar de mulher, e nós temos muitas nesta pauta, fazendo ciência em nosso estado, em nosso país e mundo afora”.
“As mulheres que estão nesse espaço importante de decisão e desenvolvimento das nações, desenvolvimento científico que eleva o ser humano a um patamar melhor, essas mulheres acabam não tendo os mesmos recursos que os homens têm. Os homens que trabalham nessa área recebem um volume muito maior de recursos. O Brasil, infelizmente, nesta área ainda está muito atrasado”, refletiu.
“Todo esse processo, envolvendo homens e mulheres na área de desenvolvimento tecnológico, o Brasil precisa caminhar muito. E com as mulheres ainda é pior porque os volumes de recurso e de incentivo para as mulheres são pequenos (…). Quem anda na frente coloca mais recurso para que as nações andem com mais rapidez, investindo na educação, na ciência e na tecnologia. Haja vista o que faz Israel, um país pequenininho (…) que há muito investe em ciência e tecnologia e tem os avanços mais significativos nessa área”, exemplificou a parlamentar.
O tema “Mulheres na Ciência” é abordado em reportagem especial no site da Ales publicada em 2023. O recorte aponta que, apesar de a participação feminina ter crescido há alguns anos, ainda existem desafios para melhor espaço em áreas como ciências exatas.
Defensoria no interior
A recondução do defensor público-geral, Vinícius Chaves de Araújo, à frente da Defensoria Pública Estadual do Espírito Santo (DPES) foi enaltecida pelo deputado Mazinho do Anjos (PSDB) na tribuna da Ales. Para o tucano, trata-se de reconhecimento por um “mandato muito eficiente” com a realização de reforma administrativa na instituição. Mazinho verbalizou sua expectativa de que o novo mandato tenha como entrega a “ida física” da DPES para os municípios do interior.
“Mantenópolis é um dos municípios que não tem Defensoria Pública. Os municípios do interior, principalmente os menores, sentem uma enorme carência da presença física da defensoria. Tenho certeza que nesses próximos dois anos, com expectativa de concurso público, nós vamos conseguir levar estrutura física com a presença da defensoria que já faz um trabalho excepcional para os que mais precisam junto ao Judiciário”, opinou.
Jovem morto
O deputado Delegado Danilo Bahiense comentou ao final da sessão o caso do jovem Danilo Lipaus Matos, morto no dia 31 de janeiro com 44 tiros disparados contra o seu veículo por policiais militares em ação. O parlamentar lamentou a “ocorrência desastrosa” e explicou que a Assembleia acompanhará o caso e cobrará resolução.
“Esse jovem teve a sua vida ceifada, 44 tiros foram disparados, o veículo não tinha insulfilm, o que ficava mais fácil visualizar se a pessoa dentro do veículo estava armada ou não. Fizemos agora uma visita, através da Comissão de Segurança, conversando com o pai do Danilo, Josenildo Matos, e ele nos pediu apoio (…). Nós não podemos trazer obviamente a vida do seu filho de volta, mas a Comissão de Segurança desta Casa vai cobrar para que sejam apurados os fatos e que, obviamente, quem cometeu esse deslize, esse crime, seja responsabilizado”, prometeu.
Fonte: POLÍTICA ES








































