No que dependesse deles, grande parte dos problemas mundiais estariam resolvidos: dezenas de jovens alunos do ensino médio das Escolas SEB, de Vitória e Vila Velha, participaram de simulação de reuniões da Organização das Nações Unidas (ONU), interpretando o papel de representantes de diferentes países e discutindo a solução de assuntos internacionais importantes para grande parte do mundo.
A abertura oficial do XII SEB ONU 2025 foi realizada na noite desta sexta-feira (15), na Assembleia Legislativa (Ales), por meio de sessão especial proposta pelo deputado Gandini (PSD). O evento é uma atividade educacional extracurricular que busca levar aos alunos o conhecimento sobre o funcionamento da ONU, além de proporcionar o debate acerca de questões globais contemporâneas, como desafios climáticos, insegurança alimentar, conflitos armados, entre outros temas.
Visão de mundo
Na abertura da sessão, o proponente falou da alegria de realizar o debate na Ales pelo terceiro ano consecutivo e ressaltou a importância da discussão: “o que vocês estão fazendo aqui não é apenas um evento escolar, é um laboratório de cidadania, de liderança e de visão de mundo”.
O parlamentar lembrou sobre a criação da ONU, em 1945, no ambiente após o fim da Segunda Guerra Mundial, e destacou a motivação da Organização que “nasceu com um propósito muito claro: aproximar nações, evitar novos conflitos e construir a paz, por meio do diálogo. Desde então, se tornou o maior palco de negociação do planeta. Um lugar onde países de todos os tamanhos têm voz. E hoje esse palco é de vocês”.
De acordo com o deputado, para realizar a simulação da ONU, os alunos precisam vencer os desafios de ouvir, negociar, encontrar consensos e, se preciso, até ceder para avançar. Para garantir essas ações, na visão do parlamentar, é necessário ter estudo, empatia, paciência e coragem.
“Como deputado estadual sei o quanto é desafiador construir acordos na vida real. Mas também sei que é justamente na troca de ideias, no respeito às diferenças e na busca pelo bem comum que a política e a diplomacia cumprem seu papel. Por isso mergulhem de cabeça nessa experiência, participem como se fosse a ONU de verdade porque, de certa forma, é”, ressaltou Gandini.
Futuros líderes
O diretor-geral das escolas SEB de Vitória e Vila Velha, Vander Euber Barbato, afirmou que, no futuro, os jovens que participam da simulação ocuparão os espaços de liderança, tanto no mundo privado como nos espaços públicos. Para Barbato, caberá a esses futuros líderes, resolver os problemas que surgem, em grande parte das vezes, porque falta às lideranças atuais a capacidade de pensar no bem de forma coletiva.
“Cada nação tem seus interesses, mas é preciso pensar no bem comum (…) Política é a capacidade de o cidadão viver de forma harmoniosa e os países precisarão, ainda mais no futuro, de pessoas muito preparadas, conscientes para isso. Vocês têm a função de serem líderes para transformar os ambientes em que vivem, seja nas salas de aula, na escola, na comunidade…”, analisou o diretor.
Paradoxo no mundo atual
O palestrante da abertura do evento foi o analista de Relações Internacionais e professor universitário Daniel Duarte Flora Carvalho. Para ele, os jovens participantes da simulação da ONU terão a oportunidade de fazer a diferença e transformar muitas vidas, qualquer que seja a área de atuação profissional em que eles escolham.
O professor, no entanto, ressaltou que o mundo atual vive um grande paradoxo: “Vemos grande progresso, por conta das riquezas geradas e da tecnologia que temos à nossa disposição. Mas, junto com esses avanços, temos problemas e conflitos de todas as maneiras. Grandes guerras, disputas comerciais, conflitos que duram muito mais do que se supunha… Isso tudo junto com muita desinformação e deep fakes. Antes, a gente discutia a narrativa do fato, hoje a gente discute se o fato é mesmo um fato”.
Na avaliação do palestrante, a velocidade com que os fatos são noticiados e depois saem da pauta midiática também influencia nossa visão de mundo e, em parte, até mesmo a solução dos conflitos.
Atuação da ONU
Outro ponto abordado pelo professor foi relacionado aos ataques que a ONU sofre atualmente e tentativas de descrédito por, aparentemente não ser capaz de encontrar a solução para os grandes conflitos armados no mundo atual. Ele explicou, no entanto, que há inúmeras vitórias da Organização que não são divulgadas pelos meios de comunicação (e logo não chegam ao conhecimento da grande parte da população), mas têm grande relevância mundial.
“Vocês tem a oportunidade aqui de não serem enganados por narrativas, mas também tem o poder de criar narrativas. Aqui vocês são poderosos, responsáveis e agentes de transformação. Aproveitem essa chance”, sugeriu o professor.
Bernardo Gomes, ex-aluno do SEB, falou como secretário-geral da ONU na abertura da simulação. Ele atuou na organização desta edição do evento e destacou que a resposta para os problemas atuais do mundo pode estar entre as discussões como as promovidas pelos estudantes: “Vistam-se da armadura dos embaixadores, sintam-se como verdadeiros representantes de um Estado”.
Debates e negociação
Os debates das delegações são realizados no fim de semana após a reunião na Ales, na unidade do SEB de Vila Velha, quando dezenas de estudantes, representando países distintos, têm conversas, negociações e sugestões de resolução de problemas ligados a assuntos como o fracasso do acordo de Paris e os problemas climáticos; insegurança alimentar; uso de crianças como soldados em países africanos; e conflitos armados.
Fonte: POLÍTICA ES








































