Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Ales homenageia mulheres e reforça luta contra violência de gênero

Iniciativa da homenagem foi da deputada Camila Valadão / Foto: Kamyla Passos

publicidade

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo realizou, na noite desta terça-feira (31), sessão solene para a entrega da Ordem do Mérito Maria Ortiz, reunindo líderes políticos e sociais e representantes de diferentes segmentos em um ato de reconhecimento e também de alerta sobre a realidade enfrentada pelas mulheres.

Fotos da sessão solene

A cerimônia foi conduzida pela presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputada Camila Valadão (Psol), autora da iniciativa, e homenageou 29 mulheres com atuação de destaque no Espírito Santo.

Criada em 1995, a honraria leva o nome de Maria Ortiz, símbolo de resistência feminina, e tem como objetivo reconhecer trajetórias de pessoas que contribuem para a promoção de direitos e transformação social.

Violência e resistência

A solenidade foi marcada por discursos que evidenciaram o cenário de violência e desigualdade enfrentado pelas mulheres. “Fazer essa sessão é uma forma de aliviar a raiva e a indignação de todas diante de tanta injustiça e violência contra as mulheres. O mês de março foi terrível para todas nós por conta de tantos feminicídios. Abrimos os jornais todos os dias e vemos uma mulher sendo brutalmente assassinada em nosso estado”, afirmou.

A parlamentar também ressaltou a importância de valorizar a resistência feminina. “Estamos vivas e precisamos celebrar a vida, a nossa existência e resistência no nosso país”, disse.

A vereadora de Vitória Ana Paula Rocha (Psol) reforçou a necessidade de organização coletiva. “É muito bom encerrar março irmanadas. Quando olhamos para este plenário, vemos mulheres construindo a luta em diversos espaços. Mas também vivemos uma maratona para sobreviver. Todo dia temos uma notícia triste. A melhor resposta que podemos dar é a nossa organização e luta”, ressaltou.

A vereadora também chamou atenção para a baixa presença feminina nos espaços de poder. “Quem toma as decisões ainda não são pessoas como nós. Nós mulheres estamos dispostas a construir o novo, o bem viver. Queremos seguir vivas.”

Leia Também:  Comissão busca saída para problemas de água suja em Montanha

Políticas públicas e rede de apoio

Representando a Secretaria Estadual das Mulheres, a ativista Crislayne Zeferina destacou o impacto da violência no cotidiano das mulheres e a necessidade de políticas públicas.

“Março foi um mês desafiador, de muito choro, principalmente para mulheres que não têm rede de apoio. A pauta principal é a violência. São mulheres que estão morrendo”, pontuou.

Ela também citou iniciativas como os Centros Margaridas e o Atlas das Mulheres. “Nós vamos a campo ouvir mulheres negras, periféricas e trabalhadoras. Esse material precisa virar política pública”, defendeu.

Diversidade de vozes e experiências

As falas refletiram a pluralidade das mulheres presentes na sessão. Representando as religiões de matriz africana, Ednéia Cabral da Silva, conhecida como Mãe Néia, destacou sua trajetória de resistência. “Me considero uma guerreira. Nunca desisti da vida que quis. Mesmo enfrentando preconceito, sigo na defesa das mulheres”, disse.

Representando o Movimento dos Atingidos por Barragens, Varner de Santana Moura lembrou vítimas da violência. “Março foi um mês sangrento. Precisamos dar um basta ao feminicídio e lutar por uma sociedade onde a mulher viva sem medo.”

Já a representante do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais (Fonatrans) Maxsylene Gomes chamou atenção para a realidade da população trans. “Todos os dias uma de nós sofre violência. Não podemos naturalizar isso. Precisamos fortalecer as políticas públicas”, afirmou.

A representante indígena Osmarlene Monteiro Pêgo dos Santos destacou a importância da identidade e da resistência. “Somos fortes, não podemos nos calar. Precisamos mostrar nosso valor e enfrentar os desafios pelas próximas gerações”, disse.

Leia Também:  Ambientalistas contam experiência de descida do Rio Sena

Reparação histórica e protagonismo feminino

Durante a sessão, Camila Valadão também ressaltou a homenagem como instrumento de reparação histórica. “Uma das formas de ocupar essa Casa, que historicamente foi majoritariamente masculina, é promover esse reconhecimento. Ao longo dos mais de 190 anos da Assembleia, apenas 17 mulheres foram eleitas deputadas”, enumerou.

Ela destacou ainda avanços recentes. “Hoje temos, pela primeira vez, quatro mulheres deputadas. E compete a nós abrir espaços como esse para mudar essa realidade, onde as mulheres foram apagadas e pouco homenageadas”, ponderou.

A deputada também enfatizou o caráter inclusivo da homenagem. “Aqui estão mulheres diversas. Não deixamos nenhuma para trás. Essa é uma das maiores honrarias da Casa”.

Homenageadas

Ao todo, foram homenageadas 29 mulheres de várias áreas, como educação, cultura, saúde, direitos humanos, liderança comunitária e movimentos sociais. Confira a lista divulgada pelo Cerimonial da Ales.

  • Adriana Pionttkovsky Barcellos
  • Adrielly Almeida Santos
  • Aline de Almeida e Silva
  • Alinne Manso
  • Ana Lucia da Rocha Conceição
  • Ana Paula Cirilo dos Santos
  • Beatriz de Barros Souza
  • Carla Íria Perim Guerson
  • Carolaine de Oliveira Rocha
  • Cinthya Campos de Oliveira
  • Cíntia Christiele Braga Dantas
  • Conceição Cássia Almeida
  • Crislayne Zeferino Pereira
  • Delia Mara Ribeiro Braga
  • Ednéia Cabral da Silva (Mãe Néia)
  • Fabíola Magnago Mozine
  • Fabiola Xavier Leal
  • Flávia Amboss Merçon Leonardo (em memória)
  • Flávia dos Santos
  • Francisca Jeane Pereira da Silva Martins
  • Jacinta Cristiana Barbosa
  • Josilene Sousa dos Santos
  • Juliana Iglesias Melim
  • Maria Antonia Moura Silva
  • Maxsylene Gomes
  • Myrthes Bevilacqua Corradi (em memória)
  • Osmarlene Monteiro Pêgo dos Santos
  • Rozilene Aparecida de Sá
  • Viviane Rodrigues

Fonte: POLÍTICA ES

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade