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Comissão conhece potencialidades da Região Sul dos Vales e Café

Desafios para desenvolvimento do turismo no sul também foram apresentados na reunião / Foto: Nicole Contão

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Os atrativos e os problemas enfrentados para o desenvolvimento turístico da Região dos Vales e Café, no sul do estado, foram discutidos na comissão de Turismo e Desporto da Assembleia Legislativa (Ales) nesta terça-feira (16). O assunto foi apresentado pelo advogado Jussan Silva e Silva, assessor de projetos da Instância de Governança Regional (IGR) do Turismo da Região Sul Capixaba dos Vales e Café.

Fotos da reunião

A região é formada pelos municípios de Apiacá, Atílio Vivacqua, Cachoeiro de Itapemirim, Mimoso do Sul e Muqui. Embora também tenha produção de café orgânico, como acontece em Muqui, a região, no entendimento do advogado, já tem uma agricultura consolidada e aponta o turismo cultural como uma vocação importante.

“É um ativo econômico relevante para a nossa região. E a IGR, na verdade, a Instância de Governança, faz esse trabalho de articulação de projetos, entre a iniciativa privada e o poder público”.

Atrativos

O advogado elencou as características culturais dos municípios pertencentes à Região Turística dos Vales, que possuem atrativos capazes de fazer a economia girar ao redor desse eixo. Em Muqui, Jussan salientou a existência de um dos maiores sítios históricos tombados no Espírito Santo, com uma arquitetura eclética. A cidade recebe o Encontro Nacional de Folia de Reis e o Carnaval Folclórico dos Bois Pintadinhos, atraindo multidões para os dias de evento.

“Em Mimoso do Sul, nós temos também o sítio histórico tombado de São Pedro de Itabapoana, com um evento bem tradicional de sanfona e viola. Apiacá é um município importante, com integração com Portugal, na Casa de Açores. Atílio Vivacqua tem um turismo de aventura muito forte, com a Pedra das Caveiras, que em breve estará aberta; e o município de Cachoeiro de Itapemirim, que é o centro cultural da nossa região, terra de Roberto Carlos, com atividades de tantos artistas a nível nacional”.

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Desafios

Jussan destacou que, para ser reconhecido como uma atividade econômica, o turismo ainda precisa de investimentos. “Apenas um município, Cachoeiro de Itapemirim, tem uma Subsecretaria de Turismo, o que significa que tem uma pauta e propósito econômico”. Cachoeiro também possui um Fundo de Turismo consolidado. Das outras quatro cidades, apenas o Fundo de Atílio Vivacqua está sendo implantado.

Outros problemas apontados pelo assessor do IGR para o desenvolvimento turístico relacionam-se à falta de integração rodoviária entre os locais, apresentando dificuldades para o deslocamento de pequenas distâncias. Ele também comentou sobre os eventos produzidos nas cidades, que não conseguem estender a permanência do turista no local. Mas a falta de valorização interna do capital turístico capixaba, para ele, é um problema igualmente abrangente.

“Nós acreditamos na vocação turística do nosso estado através da cultura, da educação, através desse sentimento que pode ser gerado dentro de todos nós, dentro do capixaba. É perceptível no campo, no caminhar, na vida de trabalho do dia a dia, que muitos de nós não valorizam a sua própria história, a sua cultura, os seus lugares. Ouvimos expressões do tipo, ‘aqui não tem nada, o interior não tem nada’. Por isso é sempre bom reforçar que o nosso estado é composto de 78 municípios, a maior parte deles realmente são cidades pequenas. O turismo rural, o turismo cultural na zona rural, é algo que realmente ocorre dentro do nosso território”.

Para superar esses desafios, o advogado aposta na promoção de ações de sensibilização feitas pelo Convention Bureau, enquanto sociedade civil organizada.

“Seja pelas redes sociais, na divulgação dos atrativos, na divulgação e promoção dessas belezas naturais, culturais, ou até mesmo em ações práticas, como oficinas de sensibilização junto às escolas, que é algo que nós fazemos”. E arremata: “a educação patrimonial nesse estado é algo que nós precisamos cultivar cada vez mais para gerar gerações que realmente tenham dentro de si esse valor importante, que é a cultura”.

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Turismo e IA

Diante de outro gargalo apresentado pelo gestor referente à informação turística, a advogada Carolina Monteiro Soares, que trabalha com turismo e o uso de inteligência artificial (IA), também participante da reunião, acredita que a informação pode ser trabalhada de melhor maneira e ficar organizada e disponível para o turista o tempo todo.

“O problema que a gente percebe hoje no estado é a fragmentação das atividades turísticas, a gente não tem uma concentração de informações para poder fomentar e atrair investimentos. Através da utilização da IA, mais do que criar uma plataforma, onde a gente possa unificar rotas, facilidades e recursos e mapear deficiências para promoção do turismo, principalmente, a gente gostaria de educar as localidades. É preciso divulgar de maneira mais orgânica, contemplando outros idiomas, criando rotas, uma promoção constante do turismo, que não dependa de partido ou de eleições”, observou Carolina Soares.

Apoio do poder público

O presidente da comissão, deputado Coronel Welinton (DC), avaliou que o diagnóstico da região aponta para municípios detentores de uma cultura bastante rica, uma história que se confunde com a própria colonização do Espírito Santo.

“O poder público precisa estar presente, fazendo os investimentos necessários, consolidando as rotas, consolidando cada ação que eles entenderam como prioritária, para que seja resgatado o turismo, que é uma fonte limpa de geração de emprego, renda e desenvolvimento social para aquela região. Não só consolidar o turismo ali como uma ação importante para levar pessoas, mas dar oportunidades de outras atividades comerciais também para a região, como restaurante, pousadas, artesanato e eventos que podem ser realizados”.

Fonte: POLÍTICA ES

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