Um dia inteiro de acolhimento e conscientização voltado para mulheres, com ações na área da saúde, rodas de conversa, debates, exibição de documentários e atendimento jurídico. Essa foi a proposta do 1º Encontro “Tecendo Cuidados – Mulheres em Luta”, realizado pela Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa (Ales). O evento foi realizado nesta quinta-feira (6), na Fundação Carmem Lúcia, na Barra do Jucu, em Vila Velha.
A ação surgiu de uma provocação feita por coletivos femininos da região 5 de Vila Velha e contou com rodas de conversa sobre prevenção à violência contra a mulher, apresentações culturais, vacinação e testes rápidos de infecções sexualmente transmissíveis (IST), exibição de documentários, debates e também com a presença de um grupo do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres da Defensoria Pública do Estado (Nudem), prestando atendimento jurídico.
Movimento Liberta
A coordenadora do Movimento Liberta, Jucileia Ribeiro, explicou que o trabalho do coletivo vem surtindo efeito. De acordo com a ativista, em 2024 foram registrados 3 casos de feminicídio dentro da área de atuação do grupo e neste ano, até o momento, só foi contabilizado um caso.
A ativista falou sobre o trabalho de acolhimento desenvolvido pelo coletivo. “O Movimento Liberta surgiu em 2020, é um movimento de mulheres que trabalha preferencialmente na região 5, acolhendo a mulher quando ela sai da delegacia. Porque, muitas vezes, a mulher tem medida protetiva e ela não sabe o que fazer. Então nós acolhemos essa mulher. E o Movimento Liberta nada mais é do que um movimento de coletivos, são vários coletivos se movimentando para salvar a vida dessas mulheres.
Defensoria Pública
De acordo com a coordenadora do Nudem, a defensora pública Fernanda Prugner, é importante que a mulher conheça os diferentes tipos de violências que existem para se protegerem. “Antes de tudo, é importante informar essa mulher das formas de violência. Então a gente tem realmente uma violência psicológica muito grande, que às vezes ela é muito silenciada, ou essa mulher em situação de violência não tem conhecimento. A violência patrimonial, que é aquela subtração dos bens dessa mulher, ou do cartão de Bolsa Família, a destruição de documentos, queimar a casa, violência moral, violência física”, pontuou a especialista.
“A violência contra a mulher é complexa, ela vai muito além da violência física. E nesse espaço que a gente está aqui hoje, a gente dá essa conscientização e informação que é possível romper esse ciclo de violência. É o que temos de mais importante aqui, instituições, movimentos que possam acolher essa mulher em situação de violência e, finalmente, romper esse ciclo de violência que não é fácil”, complementou a defensora pública.
Educação
A deputada e titular da Procuradoria Especial da Mulher da Ales, Iriny Lopes (PT), participou da roda de conversa durante a abertura do evento e falou que o fim da violência contra mulheres passa essencialmente pela educação. “Nós precisamos criar novas gerações, com nova consciência, nova cultura, uma cultura de paz, que respeite as diferenças e que respeite as mulheres. Então eu acho que nós deveríamos ter direitos humanos no currículo escolar”, opinou.
“Com isso, nós estaríamos mostrando o quanto as mulheres são violadas e violentadas, nós estaríamos mostrando o respeito às diversas religiões, que vivemos em um estado laico, nós estaríamos cuidando antecipadamente tanto da criança que é gay, quanto do agressor que vem desde pequenininho na escola e ajudando as famílias a se integrarem”, acrescentou a parlamentar.
“As diferenças existem, e elas precisam ser vistas, em primeiro lugar, porque o problema da diversidade é não ter visibilidade, embora ela esteja ali debaixo do olho da pessoa. Então a educação e os direitos humanos poderão construir o que nós chamamos de uma sociedade de paz, porque ela parte da conscientização das diferenças, da convivência com as diferenças, e das legislações que fazem a proteção da diversidade”, ponderou Iriny.
A deputada também citou os casos de violência contra pessoas trans no Brasil. “Hoje, a violência contra trans, seja trans mulher ou trans homem, é um absurdo. O número de pessoas que são assassinadas, entre trans e outros gêneros, supera números diários de países que estão em guerra. Então, existe uma guerra”, concluiu.
Fonte: POLÍTICA ES






































