O destino do lixo urbano descartado pela população e as suas consequências ambientais e sociais foi o tema da tarde desta quinta-feira (21), penúltimo dia da Semana Legislativa de Proteção ao Rio Doce. Como a palestra “O Caminho do Lixo”, o empresário e ambientalista Rafael Braga Vieira expôs sua experiência de 10 anos à frente do Projeto Pegada.
O convidadp mostrou que o caminho do lixo despejado não se restringe ao que gera o material descartado nos lugares públicos, mas se aprofunda com as consequências geradas por um lixo abandonado: acúmulo de insetos que contaminam as pessoas, ausência na escola e no trabalho por razões de doenças e aumento dos gastos públicos com saúde. Ou seja, afeta a economia, a saúde pública e o meio ambiente, segundo o ambientalista.
Rafael Vieira relatou que no início de seu projeto, era ele e a esposa a percorrer as praias de Vitória recolhendo o lixo esparramado pela areia. Os dois eram motivos de chacotas pelos banhistas, que os comparavam a garis e até os chamavam para recolher o lixo que haviam produzido. “Olha, lá, o gari recolhendo lixo, nada a ver, nada a ver. Noutro dia, olha lá o bobão recolhendo lixo. Quer aparecer. Noutro dia, a mesma coisa. Até que o filhinho do banhista começou a ajudar a gente a recolher o lixo”, contou.
O ambientalista destacou que a perseverança é o motor do sucesso das ações do projeto. “Nós acreditamos na mudança pelo exemplo, na mudança pelo exemplo e na mudança pelo exemplo. São esses três focos que a gente vê para a mudança”.
Hoje, o Projeto Pegada tem mais de 600 voluntários distribuídos em vários municípios. Começaram a recolher 100, 300, 500 quilos a cada dia de trabalho. Hoje, cada jornada de recolhimento acumula pelo menos uma tonelada. Mas em algumas ações, já foram recolhidas cerca de 20 toneladas de lixo das praias e águas do entorno de Vitória.
A arte do lixo
Vieira disse que chegou um momento em que as toneladas de lixo não sensibilizam mais. Então, resolveram transformar o lixo em arte. “A gente teve a ideia de fazer mosaico com o lixo na areia da praia da Curva da Jurema. O primeiro mosaico foi uma baleia jubarte de 16 metros de comprimento, formado com duas toneladas de lixo recolhidos em duas semanas de coleta”.
Na praia do Camburi, foi feito um mosaico de um marlim com 86 metros de comprimento, cuja foto ganhou prêmio internacional. Ele ressaltou que a arte com o lixo tem um papel de mexer com as pessoas, diferentemente de um mero monte de lixo.
Destino do lixo
As ações do Projeto Pegadas não se restringem mais à Vitória, alcançando outros municípios e outros estados. O projeto já desenvolveu ações até em outros países.
O destino do lixo é dado pelo Poder Público. Parte do material é encaminhada para a reciclagem. Mas aquele que está contaminado ou não for apropriado para a reutilização a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semmam), no caso de Vitória, encaminha para o aterro sanitário. Rafael explicou a variedade do lixo recolhido.
“Lixo hospitalar em abundância. É uma das coisas mais tristes que a gente encontra. Lembro de um pulmão humano encontrado em uma ilha. Lixeiras de hospitais também são encontradas”, descreveu Rafael.
Semana
A Semana de Proteção ao Rio Doce vai até sexta-feira (22), no Auditório Augusto Ruschi. A iniciativa é da Cipe Rio Doce, vinculada à 2ª Secretaria da Ales. Formada por cinco deputados estaduais capixabas e outros cinco mineiros, a Cipe atualmente é presidida pela deputada Janete de Sá (PSB).
22.03 (sexta-feira)
9h – Tema: “Os rios e o fotógrafo de natureza.”
Palestrante: Leonardo Merçon – Fotógrafo de natureza e documentarista, mestre em Conservação da Biodiversidade pelo IPÊ/ESCAS
Fonte: POLÍTICA ES







































