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Informação é arma contra golpe do falso advogado

Foto: José Caldas da Costa

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Até mesmo delegados de polícia já caíram no golpe do falso advogado no Espírito Santo e perderam dinheiro depositado em contas de golpistas. Especialistas entendem que o melhor antídoto para esse veneno é a informação em larga escala para que as pessoas fiquem atentas e não sejam mais ingênuas.

Em síntese, essa é a conclusão a que chegaram os participantes da reunião da Frente Parlamentar da Advocacia, realizada na noite desta quarta-feira (20), no auditório da Faculdade de Direito de Vitória, com a participação do secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno. A FP é presidida pelo deputado Mazinho dos Anjos (PSDB).

O evento reuniu dezenas de advogados e estudantes de Direito. Não havia um único profissional no ambiente que não tivesse relato de tentativa de golpe e até mesmo de casos em que os criminosos foram bem-sucedidos, conseguindo enganar clientes dos escritórios.

Participaram da mesa o promotor de Justiça Ronald Lopes; o secretário-executivo da OAB-ES, Eduardo Sarlo; o advogado e juiz eleitoral Adriano Pedra; e o defensor público Ivan Mayer Caron, assessor de Segurança Institucional da Defensoria Pública Estadual, além de Mazinho e Damasceno. Representando a FDV, anfitriã do evento, estava a professora Ivana Bonesi Rodrigues Lellis, coordenadora do curso de Direito.

Modus operandi

Mazinho explicou como funciona o golpe. “Eles acessam informações públicas e privadas de processos, identificam e contatam potenciais vítimas por meio do aplicativo de troca de mensagens (whatsapp), usando um perfil falso, ou mesmo por e-mail, e solicitam depósitos ou transferências de valores por meio de Pix. Chegam a fazer envio de comprovantes falsificados de transferências e exigência de reembolso rápidos”, disse.

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O parlamentar apresentou estatísticas oficiais, mas acredita que os números sejam muito maiores. “A OAB nacional fala em 17,5 mil ocorrências em todo o país, mas os números podem ser muito maiores. Por exemplo, São Paulo tem 1.600 denúncias, Minas Gerais 516 casos e Rio de Janeiro mais de 550 vítimas em 2025. Mas há escritórios que têm números maiores do que esses, até porque, após a primeira ocorrência, novos episódios deixam de ser notificados”, disse.

Segundo a OAB nacional, são 134 casos registrados no Espírito Santo, mas todos os advogados presentes à reunião da Frente Parlamentar asseguraram que os números são muito superiores a isso.

Subnotificações

O secretário-executivo da OAB, Eduardo Sarlo, destacou que “praticamente todos os advogados” do estado sabem do golpe que é aplicado e foram vítimas ou alvo de tentativas de sua aplicação, ou mesmo tiveram clientes atingidos. Segundo ele, há uma subnotificação das ocorrências, assim como acontece com outros tipos de golpes existentes na sociedade.

“A OAB criou um comitê para tratar desse assunto, coordenado pelo advogado Renan Sales, e levou imediatamente o assunto às autoridades de segurança. Estamos acompanhando e colaborando com as autoridades nesse assunto. Pode, sim, haver advogados envolvidos, seja direta ou indiretamente, cedendo o token de acesso aos processos na justiça ou mesmo descuidando-se de sua guarda”, disse Eduardo.

O secretário de Segurança, Leonardo Damasceno, chamou de “inferno” o mundo dos golpes por estelionato e, em sua palestra, mostrou gráficos de monitoramento de crimes pelo Observatório da Sesp que apontam um contraste entre as ocorrências de roubos em vias públicas e a ascendência dos casos de crimes cibernéticos nos últimos sete anos.

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“Os crimes cibernéticos têm aumentado em média mais de 15% nos últimos anos. No ano passado, passaram de 20 mil e nos primeiros sete meses de 2025 já chegaram a mais de 13.500. No caso específico dos golpes do falso advogado, 62% estão na Região Metropolitana, com Vitória liderando muito na frente”, disse Damasceno.

O defensor público Ivan Mayer salientou o fato de as principais vítimas de golpes serem pessoas em situação de vulnerabilidade e citou um caso que chegou ao órgão: o alvo era uma pessoa que estava com a mãe hospitalizada. “Os golpistas utilizam gatilhos mentais que parecem paralisar suas vítimas, geralmente utilizando-se de senso de urgência. Somente depois é que a vítima percebe que caiu”, disse Ivan.

Ações

A reunião resultou no entendimento de que todos os órgãos devem se envolver na máxima divulgação do golpe e do modo de operação dos golpistas para que a população fique atenta às abordagens.

A frente parlamentar está reunindo casos concretos, juntando documentos e notificando as seccionais da OAB no estados onde são identificados os advogados que tiveram seus tokens usados para acessar processos dos quais não são parte, bem como notificando a Justiça desses locais. Outra iniciativa do coletivo é a divulgação de cartilha elaborada pela OAB-ES para prevenir a aplicação do golpe.

Fonte: POLÍTICA ES

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