O processo de tombamento do antiga Colônia de Itanhenga, localizado no Bairro Padre Matias, em Cariacica, complexo que inclui o Hospital Pedro Fontes, o Educandário Alzira Bley, cemitério, capela e outras construções, foi debatido nesta terça-feira (9) em audiência conjunta das comissões de Cultura e Comunicação Social e de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (Ales).
A reunião foi a pedido da vereadora Açucena (PT) de Cariacica, diante da possibilidade de aquela área – doada pelo governo do estado ao município, ser transformada num polo empresarial, de acordo com projeto que tramita na Câmara. Segundo a vereadora, a área, apesar de estar já na fase final de tombamento, está em disputa.
Depois que a área passou para a responsabilidade do município estão ocorrendo constantes depredação das instalações e não há segurança nenhuma no local, informou a vereadora, que recebeu relatos dos moradores. Além disso, a prefeitura estaria utilizando o cemitério para sepultamento em covas rasas, à beira do Rio Santa Maria.
“Realizamos uma denúncia no Ministério Público, vamos ter uma audiência na sexta-feira próxima para debater a questão”, disse a vereadora, que está atuando em parceria com um fórum que foi criado para defender o espaço.
Lugar de memória
Leonardo Deptulski, ex-prefeito de Colantina e neto de internado da Colônia Itanhenga, disse que é preciso finalizar o tombamento iniciado em 2008. Atualmente, o tombamento é provisório. Para ele, o desafio é tornar aquele sítio histórico num espaço vivo e de preservação da memória.
O professor de História Moderna e Contemporânea da Ufes Henrique Valadares Costa reiterou a necessidade urgente de preservar o lugar de memória. O mesmo é colocado pelo arquiteto e restaurador da Câmara de Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura, Genildo Coelho.
Coelho levantou a necessidade de delimitação do tombamento, mas falta equipe técnica. Ele enfatizou que a colônia é um lugar de memória de importância nacional e que o tombamento é só um papel. “E depois, como preservar?”, perguntou o arquiteto.
Ao final da audiência, a deputada Iriny Lopes, com a concordância da deputada Camila Valadão, apresentou alguns encaminhamentos.
Pedir ao governo do estado a suspensão imediata dos efeitos da doação do Educandário Alzira Bley ao município de Cariacica, pois os colegiados reunidos consideram que essa doação do estado ao município seria ilegal.
Também devem solicitar, à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), os prontuários de todos os internos de três hospitais que serviram como asilos de doentes que eram discriminados pela sociedade e pelos poderes públicos. São eles o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, em Cariacica, o Hospital da Ilha da Pólvora de Vitória, e o Hospital Pedro Fontes.
Participantes
A audiência, realizada no Plenário Rui Barbosa da Ales, contou com a presença de familiares, antigos internos da colônia destinada aos atingidos por hanseníases, gestores e professores da área de história.
Participaram da audiência o atual coordenador nacional do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), Heraldo José Pereira, neto de internados da Colônia Itanhenga, a subsecretária Estadual de Cultura (Secult), Carol Ruas.
Na mesa de trabalho, além dos deputados Iriny Lopes (PT), presidente da Comissão de Cultura, a deputada Camila Valadão (PSol), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, João Coser (PT), Toninho da Emater (PSB) e Sergio Maneguelli (Republicanos).
Fonte: POLÍTICA ES








































