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Falta de creches impacta autonomia e sujeita mulheres à violência

Iniciativa foi da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia / Foto: Natan de Oliveira

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A falta de creches para a maioria das crianças de zero a três anos, no Espírito Santo e no país, provoca uma série de consequências sociais em cadeia para a mãe que tem que trabalhar para sustentar ou ajudar no sustento da família. Esse foi o enfoque do debate promovido nesta quinta-feira (19) pela Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa (Ales).

No estado há pouco mais de 188 mil crianças na faixa etária de zero a três anos. Apenas 37% desse total são contempladas com creches, de acordo com os dados de 2024 apresentados pela Procuradoria da Mulher. Para o órgão da Assembleia, o problema começa quando a mãe tem de deixar o emprego porque não tem creche disponível para colocar sua criança.

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Daiane Brunoro, mãe e moradora do Jardim Abaeté, Terra Vermelha, em Vila Velha, relatou as dificuldades que ela enfrenta no dia a dia. “Você precisa trazer o pão para dentro de casa e, ao mesmo tempo, com quem você vai deixar o seu filho? Espero que sejam criadas mais escolas e que essas escolas sejam formadas por profissionais capacitados, que tenham a experiência e a capacidade de atender bem nossas crianças, que elas possam desenvolver suas habilidades”, pontuou Daiane.

Autonomia da mulher

O encontrou reuniu representantes de vários setores que, de alguma forma, tratam diretamente da busca pelo cumprimento da garantia de creches para esse grupo populacional.

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A deputada Iriny Lopes enfatizou que a falta de creche para uma mãe deixar seu filho para ir ao trabalho repercute dentro do seio familiar e impacta a vida das mulheres em muitos sentidos.

Na visão da procuradora da Mulher, a creche representa uma espécie de “passaporte para sua autonomia”. “Porque ela estará plena, dona do seu tempo, para fazer investimento no seu crescimento enquanto pessoa. A ausência de creches é um caso sério, é pouco debatido, e as soluções são pequenas. Muitos municípios não cumprem a política de creche porque têm que compartilhar a manutenção, o custeio”, observou.

Para a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa do Direito da Mulher (Nevid) do Ministério Público Estadual (MP-ES), promotora de Justiça Cristiane Soares, quando o Estado não assume a responsabilidade pela creche, perdem a mãe e toda a sociedade.

“Ela não consegue voltar ao trabalho, ela não consegue trabalhar, ela perde o seu emprego ou a possibilidade de ter um novo emprego. É a consequência, possivelmente, de uma violência patrimonial, de violência psicológica e de aumento dessas violências. Então, quando um Estado, quando o município não concede essa creche para criança, essa mulher fica ainda mais na situação vulnerável”, analisou a promotora.

A promotora também observou que a violência doméstica tem várias causas. “É multidisciplinar, intersetorial, então a creche tem importância para as mulheres. Então, quando a gente fala de violência doméstica, a gente não tá falando de crime somente”, lembrou.

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Creche no campo

A vereadora Professora Valdirene (PT), de São Mateus, destacou a situação das creches no município e acrescentou que o problema se agrava nas escolas quilombolas que estão em situação mais precárias que as da cidade ou nem existem.

“As creches urbanas, em relação às creches que estão localizadas no campo, estão muito melhor. Elas têm equipamentos. Agora, no interior, não tem nem a creche. Temos que pensar no interior do estado e, chegando ao interior, no campo, nos povos tradicionais. Temos que pensar no tipo de creche, creche preparadas para receber os neurodivergentes. Se a criança tiver uma crise, onde eu a coloco? Se eu só tenho salas para os alunos no coletivo”, disse Valdirene.

Contribuíram também com o debate Maria Cristina Rocha Pimentel, promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Implementação das Políticas da Educação do MP-ES; vereadora de Vitória Ana Paula (Psol); Sumika de Freitas do Movimento Interfóruns de Educação Infantil (Mieib); Thâmara Gomes, presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher do Estado do Espírito Santo (Cedimes); Maria Cristina Pimentel, da coordenação de Apoio Operacional de Implementação das Políticas Públicas de Educação do MP-ES; e Ester Tavares, assessora do mandato de Camila Valadão (Psol).

Fonte: POLÍTICA ES

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