Em setembro de 2007, Jussara Silva tomou posse como servidora efetiva da Prefeitura da Serra. Naquele tempo, ainda não existia uma Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres (Seppom) — apenas um departamento vinculado à Secretaria de Direitos Humanos, voltado ao enfrentamento da violência doméstica. O que Jussara talvez não imaginasse é que, ao assumir aquele cargo, estaria também iniciando uma das trajetórias mais marcantes da história da política pública para mulheres no município.
“Fui lotada na Secretaria de Direitos Humanos e comecei atuando na Vara de Violência Doméstica, por meio de um convênio com o Tribunal de Justiça. Eu e a psicóloga Luciana Borges formávamos a equipe técnica que atendia às mulheres vítimas de violência. Criamos o primeiro fluxo de atendimento dentro da Vara”, relembra.
Quando o convênio terminou, em 2010, Jussara voltou para a Prefeitura e passou a trabalhar na Casa Marcele, abrigo municipal que acolhia mulheres em risco de morte. Lá, viveu histórias que ainda a emocionam. “Acompanhávamos as mulheres desde o acolhimento até o momento em que conseguiam recomeçar suas vidas. Era um trabalho intenso, mas muito gratificante. Ver uma mulher reconstruindo sua história depois de tanta dor é algo que não tem preço.”
Naquele mesmo ano, foi criada a Seppom, a primeira secretaria municipal da área em todo o Espírito Santo. “Foi um marco. Passamos a estruturar os serviços, construir fluxos, definir políticas, sempre, acreditando na causa”, conta Jussara.
Dois anos depois, a secretaria se tornou permanente, e o trabalho ganhou fôlego. “A partir dali, conseguimos planejar melhor, ampliar ações, fortalecer a rede de enfrentamento à violência e dar mais visibilidade às políticas para as mulheres”, explica.
Com o tempo, vieram novas conquistas — entre elas, a ampliação da equipe, a criação de parcerias que permitiram levar as ações da secretaria até as comunidades. “Foi bonito ver o serviço crescendo e as mulheres da Serra encontrando apoio para romper o ciclo da violência”, diz com orgulho.
Entre tantas lembranças, há uma que Jussara nunca esquece: a de uma mulher que chegou gravemente ferida à Casa Abrigo. “Ele achou que tinha matado ela e foi embora. Mas ela sobreviveu. Anos depois, a encontrei completamente transformada — com trabalho, filhos crescidos, feliz. Essas histórias mostram que sempre há uma saída. É isso que me move até hoje.”
Atualmente, Jussara é chefe da Divisão de Enfrentamento à Violência contra a Mulher da Seppom. Depois de tantos anos na ponta do atendimento, ela encara a nova função com entusiasmo e gratidão. “É um aprendizado novo, e tenho o privilégio de trabalhar com uma equipe incrível”, afirma.
A servidora, que já poderia se aposentar, não pensa em parar tão cedo. “O reconhecimento das pessoas é muito gratificante. Quando vou a uma reunião e alguém me chama pelo nome, elogiando o trabalho, isso me enche de alegria. Mas o que mais me realiza é ver as mulheres bem, recomeçando suas vidas.”
Jussara fala com serenidade e fé — duas marcas de sua caminhada. “Aprendi com meus pais que o trabalho é uma bênção, não um castigo. Servir é uma forma de amar. Por isso, sempre procurei atender com respeito, cumprir meu horário, dar o meu melhor. O servidor público está aqui para servir, e servir com excelência.”
Ao olhar para trás, o que mais a orgulha é o legado que construiu. “Quero que as pessoas lembrem de mim como alguém que trabalhou com ética, com amor e com fé. Porque quando a gente ama a Deus, precisa amar o próximo — e o serviço público é, acima de tudo, uma forma de viver esse amor.
Fonte: Prefeitura de Serra ES






































