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FP debate transtornos neurobiológicos em Atílio Vivácqua

Participantes cobraram mais inclusão e respeito para as pessoas com esses transtornos / Foto: Gleyson Tete

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As particularidades das pessoas com transtornos neurobiológicos foram debatidas em reunião da Frente Parlamentar da Assembleia Legislativa (Ales) que discute o tema. Os presentes cobraram mais inclusão e respeito para as pessoas com esses transtornos. O encontro aconteceu na noite desta quinta-feira (4), na Câmara Municipal de Atílio Vivácqua, município do sul do Espírito Santo.

A neuropsicopedagoga Rhaíssa Paris foi a palestrante do evento. Ela explicou que as pessoas muitas vezes confundem os transtornos do neurodesenvolvimento com algumas dificuldades de aprendizagem. “Os transtornos são biológicos, ou seja, a criança nasce com TEA, TDAH e isso vai para o resto da vida”, explicou.

De acordo com a especialista, o primeiro órgão a se formar de uma pessoa é o coração e o último é o cérebro, que só conclui sua formação por volta dos 25 anos. “Tendo o diagnóstico precoce e políticas públicas para ajudar a pessoa caminhar até os 25 anos, com os estímulos necessários, vai ser melhor essa caminhada”, afirmou.

Paris ressaltou a importância de qualificar os profissionais da saúde para fazerem o diagnóstico correto e os encaminhamentos necessários. “A maior parte das pessoas apresentam dificuldades ou sintomas dos transtornos. Apenas 7% da população tem realmente transtornos que precisam dos cuidados específicos. Por isso, precisamos de pessoas aptas”, frisou.

O assessor parlamentar Gabriel Cipriano, 23 anos, autista nível 1, contou que a vida das pessoas com transtornos neurobiológicos não é fácil, ainda mais quando não têm o diagnóstico. “Meu lado foi tardio, só aos 14 anos. Foi um redescobrimento, fui desenvolvendo e melhorando minhas capacidades cognitivas”, disse.

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Ele comentou que na escola era tratado como “esquisito” e que os professores achavam-no “preguiçoso”, só que o comportamento era fruto do déficit de atenção. “Isso aconteceu antes de eu ter o diagnóstico. Hoje, estou aqui como prova que tenho capacidades. A gente é capaz de aprender, desenvolver e fazer parte da sociedade”, enfatizou.

Rosilene Mendonça, assistente social da Pestalozzi de Atílio Vivácqua, elogiou a realização do encontro na cidade. Ela reforçou que a instituição é especializada no atendimento nas áreas educacional e social das pessoas com transtornos neurobiológicos, e também atua na saúde, em parceria com o município. “Precisamos esclarecer a sociedade sobre os transtornos e quebrar tabus, pois ser diferente é normal”, salientou.

Segundo o prefeito Helinho Lima (PSB), o município trabalha em parceria com a Pestalozzi para atender as pessoas com transtornos neurobiológicos. “Temos um neuropediatra para atender nossa população. Podem contar conosco para trazer políticas públicas para cuidar da população atilense”, garantiu.

Ele ainda destacou que é fundamental fazer a inclusão das pessoas com transtornos e que cabe ao poder público acolher e treinar os profissionais que lidam diretamente com essas pessoas para acolher elas e suas famílias.

O presidente da frente parlamentar, deputado Allan Ferreira (Pode), reforçou que a luta dele é por reconhecimento, respeito e dignidade de todos. “Essa luta se manifesta em ações concretas e em legislações que fazem a diferença na vida real. Apresentei diversas iniciativas e algumas viraram lei, como a lei que criou o Selo Empresa Amiga do Autista”, pontuou.

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Para o parlamentar, é preciso dialogar com todos os setores para garantir um estado mais inclusivo. “Falar de inclusão não é apenas falar de política pública, mas é falar de um futuro mais justo para todos. (…) Precisamos de políticas pontuais dos governos federal, estadual e municipal porque os municípios sozinhos não têm capacidade”, defendeu.

Maria Caroline, estagiária de Comunicação da Pestalozzi, perguntou à Allan sobre a inclusão das pessoas com transtornos neurobiológicos em concursos públicos e isenção da taxa dos certames para elas. “Elas têm direito à isenção nos editais. Tem que especificar a gratuidade, seja em concurso municipal, estadual ou federal”, respondeu o deputado. Caroline ainda pediu mais ações para incluir os estudantes com transtornos no mercado de trabalho.

Além dos citados, fizeram parte da mesa de trabalhos o presidente da Câmara Lauro Tosta (PSB), os demais vereadores Sandro da Praça (PSB), Marcelo Barros (PL), Robson de Almeida (PDT) e Itamar Moreira (Republicanos); além do assessor do deputado Dr. Bruno Resende (União) Renan Coelho. Também participaram integrantes da Pestalozzi e pessoas com transtornos neurobiológicos.

Frente parlamentar

Criada pelo Ato 559/2023, a Frente Parlamentar dos Direitos das Pessoas com Transtornos Neurológicos pretende debater e incentivar as ações em defesa dos direitos das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA); Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH); Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD); dislexia; entre outros transtornos neurobiológicos.

Fonte: POLÍTICA ES

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