Os impactos dos jogos de apostas digitais sobre crianças, adolescentes e famílias foram tema central da reunião ordinária da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa (Ales), realizada na tarde desta segunda-feira (1º). A diretora do Instituto Brasileiro de Ensino Superior e Expansão do Conhecimento (Ibeses), Cláudia Guimarães Duarte, apresentou dados e falou sobre a dimensão do problema.
Segundo a especialista, o crescimento das plataformas de jogos e apostas on-line exige atenção imediata de educadores, legisladores e da sociedade. “Nosso objetivo é fomentar a discussão sobre os riscos para crianças e adolescentes e os caminhos possíveis de enfrentamento no âmbito educacional e legislativo”, afirmou.
Cláudia apresentou dados que evidenciam a vulnerabilidade dos menores diante do mercado de apostas. Pesquisas do Instituto Alana mostram que 78% das plataformas não adotam verificação efetiva de idade. Já a CPI das Bets revelou que 92% dos influenciadores que promovem jogos de azar não mencionam a exigência de idade mínima.
De acordo com a diretora, os sites utilizam recursos visuais e sonoros semelhantes aos cassinos, com recompensas intermitentes, cores vibrantes e estímulos que favorecem a liberação de dopamina. “Esse mecanismo potencializa a atração para crianças já predispostas ao vício digital”, alertou. Um levantamento do Datasenado aponta, ainda segundo a especialista, que 52% dos professores relatam queda de rendimento escolar em estudantes com alto consumo de jogos.
Cláudia reforçou que a responsabilidade pela proteção da infância deve ser compartilhada entre Estado, escola e sociedade. “Garantir uma infância plena não é apenas um dever, mas o alicerce para um futuro digno e próspero”, concluiu.
Violência contra profissionais da educação
O presidente da comissão, deputado Marcos Madureira (PP), também trouxe à pauta denúncias de violência institucional contra uma secretária de Educação, supostamente agredida por um diretor sindical no exercício de suas funções.
Para o parlamentar, casos semelhantes se tornaram frequentes e extrapolam os muros das escolas. “Temos registros diários de violência contra professores, diretores e servidores, que agora chegam também às secretarias municipais”, afirmou.
Madureira defendeu a criação de uma legislação específica para enfrentar o problema e reforçou a corresponsabilidade das famílias no processo educativo. “É no lar que a criança recebe a primeira formação. A escola deve continuar esse trabalho, mas a base começa em casa”, destacou.
Fonte: POLÍTICA ES








































