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Sindicatos levam à Tribuna Popular demandas de trabalhadores

Demandas dos trabalhadores da saúde também foram apresentadas na Tribuna Popular / Foto: Lucas S. Costa

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Na Tribuna Popular da sessão ordinária desta quarta-feira (12), os deputados estaduais receberam três representantes sindicais que defenderam o cumprimento de direitos e melhorias para as suas categorias. Destaque para o presidente do Sindicato dos Bancários do Espírito Santo (Sindibancários-ES), Jonas Freire Santana, que veio cobrar medidas para evitar a privatização do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes).

O líder sindical falou também em nome do Comitê em Defesa do Banestes, criado em 1991. “Ao longo dessas três décadas, o comitê tem se mobilizado sempre que há uma ameaça iminente de privatização do banco capixaba. Houve uma investida muito forte em 2002, havia até data marcada na Bolsa de Valores de São Paulo (antiga Bovespa, hoje B3) para liquidar o nosso banco”, lembrou.

“Na ocasião, o comitê se articulou com a sociedade civil organizada, com os empregados do Banestes e com a classe política para evitar a venda do banco. Vencemos aquela batalha, mas nunca podemos abandonar as trincheiras em defesa do banco. Em 2009, mais uma vez, formou-se um poderoso lobby para vender o Banestes para o Banco do Brasil, que já havia arrematado outros bancos estaduais. (…) Vencemos mais essa batalha, mas as ameaças seguem rondando o banco todas as vezes que há mudanças no comando do Palácio Anchieta”, complementou Jonas Freire.

Uma das medidas propostas pelo comitê é propor aos candidatos ao governo estadual que firmem um termo se comprometendo, entre outras obrigações, a manter o Banestes público e estadual.

Consulta popular

“O governador Renato Casagrande (PSB) é signatário, ele se comprometeu na eleição de 2018 e reiterou na eleição de 2022. Nesse documento, o governador se compromete a enviar à Assembleia um projeto de lei que torna obrigatória a consulta popular ante a possibilidade de venda do Banestes”, explicou.

“Essa consulta popular, o chamado plebiscito, é uma reivindicação antiga do Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual. Em 2009, que acabei de citar, infelizmente não tínhamos essa lei para impedir que o Banestes fosse vendido sem a consulta pública. Na ausência da lei, o comitê se mobilizou e promoveu um plebiscito em todo o estado. E qual foi a resposta da população capixaba ante a consulta? O Banestes é nosso e não queremos vendê-lo. É bom citar que mais de 90% dos consultados disseram ser contra a venda do Banestes naquele período”, concluiu o líder sindical.

Políticas sociais

O tema foi trazido à Tribuna Popular pela deputada Camila Valadão (Psol). A parlamentar falou sobre a importância do banco para o Estado. “A gente está falando de um banco que tem uma história e que gera lucro, e que além de gerar lucro para o Estado do Espírito Santo, para o desenvolvimento econômico, opera políticas sociais importantes e a gente pode mencionar uma delas, que é o Bolsa Capixaba”, lembrou.

“E o mais fundamental, está nos 78 municípios, portanto está próximo dos cidadãos e cidadãs do nosso Estado, e eu tenho certeza de que um processo de privatização do banco não contará com o apoio desta Casa. A gente teve aqui hoje manifestação de alguns deputados em defesa da permanência desse banco como público e estadual”, confidenciou a deputada.

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“Nós sabemos que o Espírito Santo, depois de décadas de um direcionamento, digamos assim, agora pode sofrer mudanças em âmbito estadual e há preocupações sim com o processo de privatização do banco. Por isso, a importância do comitê permanecer vigilante e firme nesta luta e ocupando as galerias desta Casa, como está fazendo no dia de hoje”, ressaltou Camila.

A deputada disse que pretende apresentar ao Legislativo uma proposta obrigando o governo a realizar um plebiscito caso decida privatizar o banco. “Para fechar, o Jonas mencionou a respeito do projeto de lei, nós estamos em diálogo com o comitê para apresentar nesta Casa aquilo que foi compromisso do atual governador Renato Casagrande, que é que esse banco não seja vendido e que os rumos desse banco sejam debatidos com a população capixaba”, finalizou a parlamentar.

Sindeducação

Também participou da Tribuna Popular o presidente do Sindicato dos Educadores Técnico-administrativos em Estabelecimentos de Ensino Particular no Estado do Espírito Santo (Sindeducação/ES), Leonil Dias da Silva. O sindicalista acusa uma seguradora de estar dificultando o resgate da previdência particular para os trabalhadores do setor.

“Nós reivindicamos a previdência privada, porque nós lamentavelmente vivemos em um país em que a mão de obra do trabalhador está escravizada e precisa ser revista. Trabalhador que faz a roda desse país girar tem que ser respeitado. E nós conquistamos benefícios para diminuir a dor que esse trabalhador tem”, afirmou.

“E dentro desses benefícios foi conquistada a previdência privada. Pasmem, a Unimed Seguros foi contratada para poder prestar o serviço de previdência a nossa categoria dos educadores técnicos administrativos e também aos professores das instituições particulares, em 2013, passaram-se 12 anos. No ano passado nós solicitamos o resgate dessa previdência. E pasmem senhores, colocaram todos os empecilhos para que ele não fosse resgatado”, acrescentou o presidente.

“Foram mais de R$ 160 milhões depositados na conta da Unimed Seguros. Lamentavelmente, no dia 2 de janeiro deste ano, deveria estar disponibilizando esse recurso para os trabalhadores. E aí eles começaram a criar muitas dificuldades. Telefone para falar naquele 0800, eram mais de três horas e não conseguia falar. Criaram um aplicativo para poder facilitar a vida dos trabalhadores na hora do saque da previdência e aí (eles) não conseguiam, porque tinham que fazer a identificação facial, que não identificava ninguém também”, reclamou.

O deputado Gandini (PSD), autor do convite a Leonil Dias, prestou apoio à categoria. “É fundamental, quando a gente fala de valorizar o profissional de educação, que a gente tenha, de fato, a valorização. Não pode chegar na hora de que, depois que o trabalhador contribuiu diversos anos, ele não conseguir resgatar”, argumentou o parlamentar.

“Ainda tem mais de 15 mil profissionais que ainda não receberam, por nem saber que têm direito. Eles contribuíram 11 anos e, por vezes, nem sabem que têm direito. A pessoa já morreu e o familiar não sabe que tem direito. (…) A gente precisa dar visibilidade a essas 15 mil pessoas que ainda têm direito de resgatar esses valores, no total de quase R$ 70 milhões (que ainda faltam por resgatar), isso faz uma diferença enorme para esses trabalhadores e a gente sabe o quanto isso é importante”, concluiu.

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Sindsaúde

Já a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde do Estado do Espírito Santo (Sindsaúde), Geiza Pinheiro Quaresma, trouxe três pontos para serem debatidos com os parlamentares: o pagamento do piso salarial da enfermagem, o combate ao assédio moral e proposta de reajuste para os profissionais de enfermagem.

“Um dos pontos que a gente já tinha solicitado, e é imprescindível, que chamemos aqui na Assembleia uma audiência pública, para que nós possamos tratar dos repasses do pagamento do piso da enfermagem no estado do Espírito Santo, tanto nos setores em que é responsável o governo do Estado e também nas Prefeituras”, cobrou a sindicalista.

“Principalmente para que os deputados, que são fiscalizadores, e nós do movimento sindical também somos fiscalizadores e somos do controle social, precisamos ter mais transparência nas informações e muito mais clareza de como é feito esses pagamentos”, acrescentou.

“O segundo ponto, que eu conclamo aqui também que tenhamos uma audiência pública, é para falar sobre a questão do assédio moral, que está dentro do nosso estado, em diversos setores. E não são só nos setores da saúde, são todos os setores do Estado, principalmente onde os trabalhadores passam por contratações temporárias, ou contratos que são bem precarizados dentro do setor”, avaliou.

O terceiro ponto e o mais debatido pela líder sindical refere-se à análise, em caráter de urgência, do Projeto de Lei (PL) 113/2025, apresentado em fevereiro pelo Executivo para reajuste salarial de 10% a auxiliares de enfermagem (QSS), auxiliares de serviço médico e técnicos de enfermagem. “É uma luta histórica que nós estamos fazendo no estado há mais de dez anos”, disse.

“O que chegou aqui na Casa, o projeto que chegou no dia 25 de fevereiro, é lógico que nós gostaríamos que fosse um projeto com valor muito maior do que apenas 10%. Mas foi o que naquele momento o orçamento do Estado apontou, mesmo o Estado sendo o estado nota A. Nós estamos falando de valorização, de reconhecimento”, ponderou Geiza Quaresma.

“A gente gostaria muito que uma extraordinária acontecesse inclusive hoje para que esse projeto pudesse ter uma leitura. Quando as questões são de interesse do governo, é votado até na calada da noite, isso pode. Mas quando o assunto é trabalhador, quando o assunto é sobre nós servidores, precisa fazer mobilização para pedir um caráter emergencial. Isso não pode ficar acontecendo. Nós merecemos não só valorização, merecemos respeito”, concluiu a sindicalista.

A pauta foi trazida à Tribuna Popular pelo deputado João Coser (PT). O parlamentar declarou apoio à categoria e pediu paciência para que os deputados possam analisar o projeto.

“Vou fazer a defesa da Assembleia um pouquinho. O Executivo ficou um ano conversando com vocês. O projeto chegou ontem e vocês querem que votem hoje. Estou disposto a votar, mas vocês têm que entender que aqui é um poder também. Nós precisamos de tempo para refletir. Nós vamos votar com vocês, estamos prontos para votar e eu estou aqui à disposição”, declarou o petista.

Fonte: POLÍTICA ES

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