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Sessão destaca relevância do trabalho de doulas

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A importância da profissão das doulas na garantia dos direitos das pessoas gestantes e do parto humanizado foi debatida durante a sessão solene em homenagem ao Dia Internacional das Doulas, celebrado neste 22 de março. A solenidade foi iniciativa da deputada Camila Valadão (Psol) e aconteceu no Plenário Dirceu Cardoso da Assembleia Legislativa (Ales). Receberam certificados 17 profissionais dedicadas à atuação em prol do parto humanizado no Espírito Santo.

A deputada Camila Valadão colocou à disposição o seu mandato e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Ales, da qual é a presidente, para o debate e a formulação de estratégias que busquem a proteção das mulheres no parto.

“Que bom que a gente está ocupando o mês de março, trazendo essa reflexão importantíssima. Para além de um espaço de homenagem, a nossa ideia é também fazer um convite para a gente poder impulsionar a garantia de mulheres para antes, durante e depois do parto. E que a partir daqui, desse momento de encontro, a gente possa avançar nas estratégias para garantir direitos das gestantes e de doulas. A gente falava da violência obstétrica, que ainda é uma realidade em nosso país e nosso estado. (…) Nós queremos gestar e parir com dignidade no estado do Espírito Santo”, registrou.

“A maioria das mulheres que sofrem violência obstétrica no estado são negras. Nós temos que ter uma atenção especial, principalmente a essas mulheres negras”, alertou a gerente de Promoção de Igualdade de Gênero da Secretaria Estadual de Mulheres, Cristiane Martins do Canto.

Políticas públicas

A socióloga, doula e educadora perinatal Aline de Almeida e Silva, reivindicou normas para o exercício da profissão de doulas, que garante o parto humanizado. “Precisamos de políticas públicas de fomento ao trabalho das doulas. A associação trabalha em várias frentes. Nesse mês da mulher, falamos também da violência obstétrica, mas a gente quer falar que a nossa categoria é perseguida, não conseguimos ter o nosso espaço dentro da equipe multidisciplinar de parto, apesar de todas as evidências”, declarou.

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Aline, que também é servidora da Casa, avalia a violência obstétrica como uma expressão do machismo e da violência contra as mulheres. “É o nosso trabalho que faz um contraponto com o modelo vigente de atenção ao parto, que é o modelo biomédico, que foca só no corpo, na parte técnica. A doula traz um paradigma de humanidade, de entender o contexto sociocultural e político daquela mulher. A gente traz um certo incômodo sobre o que está acontecendo dentro dos hospitais, dentro das instituições”, assegurou.

Evidência científica

Para o médico obstetra e ginecologista, gestor da Santa Casa de Misericórdia e diretor do Hospital Materno Infantil Eduardo Soares, há evidências científicas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde (MS), com base em estudos mundiais, que comprovam a importância do trabalho das doulas. Também disse que o Brasil precisou rever os indicadores preocupantes, como os de mortalidade materna, trazidos do parto no final do século 20. 

“Como o Brasil tem números de indicadores do parto semelhantes com os países mais pobres da África e da América Central? Como explicar a quantidade recorde de cesarianas que se fazia no mundo e uma mortalidade materna assustadoramente alta? A partir da década de 1980, foi preciso rever o que estava acontecendo. Daí começou a humanização do parto e nascimento e, com isso, vieram as doulas. As doulas não foram uma invenção dessa época. Elas já existiam e voltaram a atuar junto com a humanização. Onde há doulas, há parto humanizado”, garantiu Soares.

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Sem notificação

A advogada da Associação de Doulas do Espírito Santo (Adoules), Francesca Avanza, observou que a violência no âmbito da saúde é notificada por profissionais da saúde e fez uma provocação acerca das notificações a respeito da violência obstétrica. “Tem notificação sobre violência obstétrica? Nenhuma. Deveria ter? Com certeza”.

Conforme informou, no Laboratório de Estudos Sobre Violência, Saúde e Acidentes (Lavisa), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), do qual faz parte, são feitos estudos de violência com base em dados oficiais, as notificações, no entanto, disse não haver registros sobre violência obstétrica. “É violência de gênero e por que não há no país notificação sobre violência obstétrica?”, questionou Avanza.

“Se uma mulher é violentada no momento de seu parto, por que o profissional que está lá para notificar a violência não o faz? Isso precisa ser tratado”, anotou. Para ela, essa questão tem de ser tratada no momento de se pensar políticas públicas para o parto humanizado. Avanza também pontuou manifestações de algumas entidades médicas questionando a expressão “violência obstétrica”, apesar de ser um termo adotado mundialmente, inclusive pela OMS.

Homenageados

Francesca Avanza
Williana Buzato Fraga Farias
Jordana Santos Rangel Nunes
Cristiane dos Santos Conceição
Driele Freitas Brito
Jaciana Polonini da Cruz Barelos
Renara Cabral Pereira Pavez
Daiane Vitor Machado
Aline de Almeida e Silva
Laís Borges Lacerda
Andreia Marrí Mota Souza
Stephanie Laport  Alves Costa
Sabrirna Bravo Pinheiro Miranda
Thais Matê Schoereder Pirola
Graziele Rodrigues da Silva Duda
Bárbara Farias dos Santos
Karine Boldrine Helmer
 

Fonte: POLÍTICA ES

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